Ibovespa devolve perdas e fecha no zero com Petrobras (PETR4) em alta

O índice chegou a cair 1,65% nesta quarta-feira (14), mas reagiu com a Petrobras e fechou em leve baixa de 0,18%.

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Publicado em 14/10/2026 às 18:19h - Atualizado em 14/10/2026 às 18:46h Publicado em 14/10/2026 às 18:19h Atualizado em 14/10/2026 às 18:46h por Matheus Silva
O índice de volatilidade da B3, o VXBR, subiu 11,61%, aos 33,26 pontos (Imagem: Shutterstock)
O índice de volatilidade da B3, o VXBR, subiu 11,61%, aos 33,26 pontos (Imagem: Shutterstock)
📊 O Ibovespa (IBOV) viveu uma quarta-feira (14) de forte oscilação. Pressionado pela inflação acima do esperado nos Estados Unidos e por um movimento de realização de lucros após o rali eleitoral, o índice chegou a cair 1,65% pela manhã, mas reagiu ao longo da tarde e encerrou o pregão em leve baixa de -0,18%, aos 206.505 pontos. Foi a segunda queda consecutiva da bolsa.
Durante a sessão, o principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 203.463,77 pontos e a máxima de 207.220,81 pontos, com volume financeiro de R$ 45,40 bilhões. 
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Na semana, encurtada pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida na segunda-feira (12), o Ibovespa acumula recuo de -1,22%. Ainda assim, o saldo de outubro segue amplamente positivo, com alta de +10,82%, e o ganho em 2026 chega a +28,16%.
No câmbio, o dólar comercial emendou a segunda alta seguida frente ao real e fechou com avanço de +0,17%, a R$ 5,028, depois de oscilar entre R$ 5,019 e R$ 5,055. 
O movimento acompanhou o fortalecimento global da moeda americana, com o índice DXY subindo +0,35%, aos 102,54 pontos.

Inflação americana reacende aposta de alta de juros pelo Fed

O principal fator de pressão veio dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro, em linha com o esperado na comparação mensal, mas acima da alta de 0,4% registrada em agosto. 
Em 12 meses, a inflação americana chegou a 3,7%, acima da projeção de 3,6%. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, também superando as estimativas.
O dado reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode voltar a subir os juros ainda em outubro. Para o Itaú BBA, a inflação ficou bem acima das expectativas e aumentou a probabilidade de uma nova alta na próxima reunião.
Na Casa Branca, o tom foi outro. O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, afirmou que a alta de setembro foi puxada pela energia e tende a ser temporária. A declaração ajudou a reduzir parte da tensão nos mercados ao longo da tarde.
Em Wall Street, porém, o efeito negativo prevaleceu. O S&P 500 recuou 1,10%, aos 7.719,54 pontos, o Nasdaq caiu 1,88%, aos 26.692,87 pontos, e o Dow Jones fechou praticamente estável, com baixa de 0,09%, aos 51.621,78 pontos. 
"A divulgação de hoje deve representar um obstáculo moderado para os ativos de risco, já que as expectativas de aumentos de juros no curto prazo aumentam a pressão sobre a ponta longa da curva", avaliou Jeff Schulze, estrategista-chefe de investimentos do Franklin Templeton Institute, em declaração à CNBC.

Realização de lucros pesa sobre as ações mais sensíveis a juros

No Brasil, o ambiente externo se somou a um movimento natural de ajuste depois da forte valorização que se seguiu ao primeiro turno.
Na semana posterior à votação, os investidores estrangeiros trouxeram cerca de R$ 13 bilhões para a bolsa, e o Ibovespa chegou a renovar seu recorde histórico.
O cenário doméstico também contribuiu para a cautela. O volume do setor de serviços recuou 0,1% em agosto na comparação com julho, abaixo do esperado, e cresceu apenas 0,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a alta é de 2,2%, a menor desde agosto de 2024. 

Petróleo e câmbio ajudam o Ibovespa a reduzir as perdas

A recuperação da tarde teve a Petrobras (PETR4) como principal motor. As ações da estatal subiram com força ao longo do dia, com a PETR3 avançando +1,94% e a PETR4 ganhando +2,22% na reta final. 
O Brent para novembro fechou em alta de +0,35%, a US$ 106,06 o barril, e o WTI avançou +1,01%, a US$ 95,09, em meio à escalada das tensões no Estreito de Ormuz, onde um navio porta-contêineres afundou após ser atingido por um projétil.
Do lado negativo, os grandes bancos fecharam majoritariamente em queda, com destaque para o Santander (SANB11), que recuou mais de -2%. 
Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) também caíram, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) chegou a subir durante a tarde, mas virou para leve baixa no fim do pregão. A B3 (B3SA3) recuou -1,89%, e a Vale (VALE3) caiu cerca de -0,66%, em meio à queda do minério de ferro na China.
O varejo concentrou as maiores perdas. O Magazine Luiza (MGLU3), ação mais negociada do dia, chegou a cair mais de -7,7% durante a sessão, devolvendo parte do forte rali recente, e fechou o dia com queda de -4,49% . A Casas Bahia (BHIA3) desabou -24,31%. 
Entre as construtoras, a Cyrela (CYRE3) recuou -4,31% depois de dados operacionais considerados fracos pelo Bradesco BBI, e a Cury (CURY3) também figurou entre as maiores baixas. Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3) recuaram -4,76% e -3,72%, respectivamente.
A Embraer (EMBJ3) também fechou em baixa, mesmo após a Japan Airlines encomendar até 26 jatos E190-E2 para sua divisão regional, sendo 16 pedidos firmes e 10 opções. Na ponta positiva, além da Petrobras, a PRIO (PRIO3) e a Axia Energia (AXIA3) estiveram entre os destaques de alta.
O índice de volatilidade da bolsa brasileira, o VXBR, disparou +11,61%, aos 33,26 pontos, refletindo a maior cautela dos investidores. O índice de Small Caps (SMLL) caiu -1,11%, aos 2.701,16 pontos, e o IFIX, de fundos imobiliários, subiu +0,07%, aos 3.953,80 pontos.

Quaest e Datafolha entram no radar do mercado

A cautela também refletiu a espera por novos dados eleitorais. A pesquisa Quaest sobre o segundo turno seria divulgada na noite desta quarta-feira, e o Datafolha está previsto para quinta-feira (15). 
📊 No campo político, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recuou da decisão anterior e confirmou presença no debate da TV Band com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para domingo (18).