Ibovespa cai pela segunda vez seguida com IPCA estourando o teto e petróleo em queda

O IPCA-15 de maio acima do esperado jogou a inflação de volta para cima do teto da meta de 4,5% e virou o principal assunto do dia.

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Publicado em 27/05/2026 às 17:53h Publicado em 27/05/2026 às 17:53h por Matheus Silva
O dólar comercial subiu 0,66%, fechando a R$ 5,06 (Imagem: Shutterstock)
O dólar comercial subiu 0,66%, fechando a R$ 5,06 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Ibovespa (IBOV) encerrou esta quarta-feira (27) com queda de 0,48%, aos 175.744 pontos, a segunda baixa consecutiva. O dólar comercial subiu 0,66%, fechando a R$ 5,06.
Em Wall Street, os principais índices registraram altas moderadas, enquanto as bolsas europeias terminaram mistas.
A principal notícia doméstica do dia foi a divulgação do IPCA-15 de maio, com resultado acima das expectativas, colocando a inflação novamente acima do teto da meta de 4,5%.
André Valério, economista-sênior do Inter, avaliou que, embora "o qualitativo do IPCA ainda enseje cautela", há aspectos positivos no dado. 
"A média dos núcleos acelerou na margem, de 0,47% para 0,48%, e a média móvel de três meses desacelerou para 0,44%, menor valor desde janeiro. Ainda assim, é um patamar elevado para o núcleo, mas a boa notícia é que não se nota, por ora, sinais de contaminação do choque do petróleo para o restante dos preços", disse. 
O índice de difusão, que mede a amplitude do processo inflacionário, recuou de 67% para 65%.
Para a reunião de junho, Valério ainda espera que o Copom prossiga com um corte adicional de 25 pontos-base com comunicação mais cautelosa. 
"Com a continuidade do aperto monetário, subsequente desaceleração da atividade e eventual fim do conflito no Irã, esperamos que o Copom tenha condições de cortar 25 pontos-base em todas as reuniões desse ano, levando a Selic a 13,25% ao fim de 2026", projetou.
Em contraponto, a confiança da indústria brasileira voltou a subir em maio, após queda no mês anterior, com melhora na percepção do cenário atual, segundo a FGV.

Negociações EUA-Irã avançam; petróleo cai com WTI abaixo de US$ 90

No cenário geopolítico, as negociações entre EUA e Irã seguiram avançando em tom, sem anúncios concretos. Trump sinalizou que o acordo é próximo, mas ressaltou que seu governo ainda não está satisfeito com os termos. 
O Irã reafirmou que o Estreito de Ormuz seria reaberto 30 dias após um eventual acordo firmado. O presidente americano, por sua vez, declarou que nenhum país específico controlará aquelas águas, ponto ainda em disputa nas negociações.
O resultado do avanço nas conversas foi a queda nos preços do petróleo. O WTI encerrou abaixo de US$ 90 o barril, e o ouro também recuou na sessão.

Lula diz que Petrobras está próxima de anunciar sobre Margem Equatorial

A Petrobras (PETR4) recuou 1,43%, acompanhando a queda do petróleo internacional. Em evento no Amazonas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a companhia está próxima de anunciar se há petróleo na Margem Equatorial.
A Vale (VALE3) abriu em queda, passou o dia no vermelho e virou para encerrar com alta de 0,46%, mantendo trajetória de recuperação técnica após romper uma longa tendência de baixa.
Os bancos sustentaram o índice em boa parte do pregão. O Bradesco (BBDC4) avançou 0,90%, o Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,65% e o Santander (SANB11) valorizou 0,55%. O Banco do Brasil (BBAS3) reverteu os ganhos no final do pregão e fechou com queda de 0,19%.
A Embraer (EMBJ3) avançou 1,55%, com analistas reiterando recomendação de compra para o papel. A Ambev (ABEV3) subiu 0,12%, mesmo com analistas mantendo recomendação de venda e perspectiva limitada para a ação.
A Natura (NATU3) liderou as perdas com queda de 4,13%, após a XP reduzir as expectativas para o período de 2026 e 2027, mantendo, no entanto, a recomendação de compra.

Quinta-feira traz Caged, desemprego, PCE americano e PIB do 1T26 nos EUA

A agenda de quinta-feira (28) inclui dados decisivos para o mercado. No Brasil, serão divulgados a inflação ao produtor, o Caged e a taxa de desemprego, todos referentes a abril. 
📊Nos EUA, o destaque fica para o PCE (índice de inflação de consumo pessoal, o mais monitorado pelo Federal Reserve), o PIB do primeiro trimestre de 2026, além de dados do mercado imobiliário e de bens duráveis.