Economatica S.A. (ECOM3) beira virar penny stock em meio à venda de ativos

Anteriormente conhecida como Traders Club (TC), a empresa acionou a Justiça por desavenças com compradores.

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Publicado em 11/07/2026 às 13:32h Publicado em 11/07/2026 às 13:32h por Lucas Simões
Empresa trocou há pouco o seu ticker de TRAD3 para ECOM3 (Imagem: Shutterstock)
Empresa trocou há pouco o seu ticker de TRAD3 para ECOM3 (Imagem: Shutterstock)
A Economatica (ECOM3) acaba de passar por um rebranding, mudando de ticker e nome de negociação na bolsa de valores no último dia 7 de julho de 2026, deixando para trás a denominação Traders Club (TC). Todavia, o baixo valor de tela das ações (pouco acima de R$ 1 cada) já acende o alerta de penny stock e coincide com momento conturbado de venda de ativos.
Durante a semana, a companhia divulgou comunicado dirigido ao mercado dando conta da situação em que se encontra a venda de sua carteira de varejo à Ibirá Participações por R$ 4,5 milhões. O negócio previa R$ 2,5 milhões à vista e o restante em seis parcelas mensais de R$ 500 mil após o fechamento das tratativas.
De um lado, a Economatica alega que tomou calote da compradora e acionou a Justiça para garantir o dinheiro. Já a Ibirá Participações argumenta que deixou de pagar o valor previsto em contrato pois "não conseguiu concluir a diligência nos números da plataforma de dados de investimentos vendida". No caso, a compradora afirma ter desembolsado R$ 1 milhão na condição de "boa fé".
Ao jornal Valor Econômico, o fundador da Ibirá Participações, Daniel Sabino, declarou que outro sócio dele, Gustavo Corradi, admirador do fórum de pessoas físicas em rede social criado pelo então Traders Club, descobriu que a companhia vinha abordando a base de clientes que “seria vendida” para contato por um novo canal.
Logo, a Ibirá Participações se desencantou com a atitude da atual Economatica em abordar a base de clientes pessoas físicas que vendia como carteira de varejo, direcionando a base para um novo canal com foco em negócios.
Acabou que a Ibirá Participações decidiu processar a Economaica (antigo Traders Club) para reaver o dinheiro pago, uma vez que o contrato de venda previa cláusula de "non compete" na atividade de assessoria de investimentos. 

Linha do tempo

Em sua defesa, o CEO da Economatica, Pedro Albuquerque, atesta com documentação que a liminar pretendida pela Ibirá Participações teve o pedido de urgência negado pelo juízo da 36ª Vara do Tribunal de Justiça de São Paulo, embora a batalha nos tribunais sobre o tema siga ativa.
No último dia 9 de julho de 2026, a Economatica apresentou fato relevante informando sobre negociações exclusivas com a EQI para a cessão integral e definitiva dos direitos de propriedade intelectual da sua plataforma, ao rescindir o acordo com a Ibirá Participações.
Assim, o novo memorando de venda prevê o pagamento total de R$ 3 milhões, sendo que a EQI já teria o comprometimento de desembolsar R$ 300 mil à Economatica. Tal transação inclui o software de comunicação e investimentos para pessoa física no ambiente web e nos aplicativos para celular.
Vale mencionar que o então Traders Club havia comprado a plataforma de dados financeiros Economatica por R$ 40 milhões em 2021, usando o caixa levantado com investidores em bolsa de valores durante IPO naquele ano.
Devido à deterioração dos negócios de lá para cá, houve a necessidade de venda de ativos, que chegaram a ser oferecidos à Reag Investimentos por R$ 60 milhões, mas cujo acordo posteriormente ruiu diante dos elos da gestora com o crime organizado.
Segundo dados do Investidor10, se você tivesse investido R$ 1 mil em Economatica (ECOM3) desde o seu IPO em 2021, hoje você teria R$ 12,70, já considerando o reinvestimento dos dividendos. A simulação também aponta que o Ibovespa teria retornado R$ 1.394,00 nas mesmas condições.