Freio de mão contra a IA derruba ações nas bolsas de valores; veja as mais afetadas

Apelos do CEO da Anthropic no final de semana para desacelerar investimentos no setor provocam 'sell-off' nos mercados.

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Publicado em 14/09/2026 às 16:00h Publicado em 14/09/2026 às 16:00h por Lucas Simões
Medo apocalíptico da IA prejudica fabricante de chips, empresas de hardware e data centers (Imagem: Shutterstock)
Medo apocalíptico da IA prejudica fabricante de chips, empresas de hardware e data centers (Imagem: Shutterstock)
As preocupações contra o rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA) lançadas pelo CEO da Anthropic, Dario Amodei, durante o último final de semana, convergiram em uma enxurrada vermelha nas bolsas de valores globais contra fabricantes de chips, empresas de hardware e até REITs de data centers.
Entre as maiores prejudicadas nesta segunda-feira (14) estão as ações do conglomerado japonês Softbank, que fecharam em queda de -10% na Bolsa de Tóquio, sendo um dos maiores acionistas da startup OpenAI, responsável pela famosa ferramenta ChatGPT, rival direta da Anthropic.
Aliás, o próprio CEO da OpenAI também engrossou o apelo dos magnatas da IA, revelando em entrevista no último sábado que a empresa não abrirá mais o seu capital em 2026, deixando um dos IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) mais aguardados dos últimos anos só para 2027, na melhor das hipóteses. O negócio já espera movimentar US$ 1 trilhão.
Responsável pelo chatbot Claude, a startup Anthropic também sentiu o baque, mesmo sem ter capital aberto na bolsa de valores. Atualmente, a Amazon (AMZN) é a maior acionista corporativa da nova queridinha das IAs, mas seus papéis cederam cerca de -1%, acompanhando a sangria também de outras gigantes de tecnologia.
Como era de se esperar, as ações da fabricante de chips mais avançados do mundo, a Nvidia (NVDA), derrapavam ao redor de -3% hoje, levando a companhia a quase perder o valor de mercado superior a US$ 5 trilhões. A sua demanda depende fortemente do desenvolvimento de novas IAs criadas pela Anthropic e OpenAI.
Todavia, boa parte dos investidores globais justamente queria ouvir tais apelos dos magnatas da IA, em que até o bilionário Elon Musk entrou na onda, tendo muito menos a ver com teorias apocalípticas de que as ferramentas autônomas terão capacidade de destruir a humanidade até o final da década.
Para a gestora americana Aptus Capital Advisors, se os gastos de capital (capex) das gigantes de tecnologia diminuíssem, os lucros também cairiam, mas o fluxo de caixa livre provavelmente aumentaria, o que poderia gerar uma expansão múltipla de volta aos níveis observados em dezembro de 2025. Seria uma estratégia retórica, já que os empresários sabem que sazonalmente o segundo semestre do ano é mais fraco para as bolsas de valores. 

China chama de alarmismo o medo da IA

O mercado asiático também é fortemente exposto à indústria da IA, especialmente fabricantes de chips de memória da Coreia do Sul, cujas ações desabaram fortemente neste início de semana. Só que a réplica mais contundente veio direto do governo chinês, que trata o tema como uma arma geopolítica. 
“A disseminação do medo, o confronto e a competição apenas irão perturbar o processo de governança global da IA”, disse Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Na visão do Partido Comunista da China, o momento não é de desaceleração de investimentos, e sim de aceleração da construção de um sistema de prevenção e controle de riscos de segurança baseado em IA.
De toda forma, o sell-off global em torno da IA também atingiu companhias chinesas, como a recém-listada ChangXin Memory Technologies (CXMT), que fechou em queda de -4% na Bolsa de Xangai. A fabricante de semicondutores se tornou rapidamente a empresa mais valiosa da China, desde o seu IPO em julho, valendo US$ 575 bilhões. 
Na Coreia do Sul, as fabricantes de chips de memória Samsung Electronics (SSNLF) e SK Hynix (SKHY) cederam -6% e -4%, respectivamente, seguindo a tendência já apontada por seus contratos futuros perpétuos negociados na rede blockchain Hyperliquid (HYPE) durante o final de semana.