Muitos investidores sequer se deram conta de que a China tem sido uma heroína oculta por manter os preços do
petróleo ainda comportados dentro do possível em meio aos
conflitos armados no Oriente Médio, embora a commodity tenha voltado ao patamar de US$ 100 por barril nesta semana, algo que não se via desde maio.
Os chineses são os maiores compradores de petróleo no mundo, essencial para manter o poderio industrial da nação. Só que, desde o início da guerra no Irã, a China cortou as importações de petróleo bruto entre 3 milhões e 5 milhões de barris por dia, o que impediu a commodity de romper os US$ 130 por barril nas máximas do ano.
Logo, o mercado já começa a especular onde irá parar a cotação do
petróleo tipo Brent quando o Partido Comunista Chinês não quiser mais consumir drasticamente suas vastas reservas estratégicas. Por um lado, a continuidade do rali altista é benéfica às petroleiras mundo afora, incluindo as brasileiras, como a
Petrobras (PETR4).
Só os papéis preferenciais da estatal se apreciaram quase +60% em 2026, saindo da região dos R$ 30 e indo para R$ 50 cada. Na iniciativa 100% privada, as ações da
Prio (PRIO3) esbarram em valorização de +53% no mesmo período.
Nem parece que o petróleo chegou a fazer mínima a US$ 68 por barril há poucos meses, quando um acordo para o pleno funcionamento do estreito de Ormuz parecia próximo, o que destravaria a rota marítima responsável por 20% da oferta mundial de petróleo.
Embora as refinarias chinesas tenham baita incentivo para voltarem a todo vapor, diante da elevada margem de lucro na produção de diesel a partir do petróleo cru, as importações chinesas não devem voltar aos patamares pré-guerra, segundo a consultoria Energy Aspects, embora os analistas da casa reconheçam que o apetite chinês já cresceu bastante entre julho e agosto (mais 7 milhões de barris por dia).
Na visão do
setor energético, o governo chinês é um comprador muito experiente e dará mais ênfase aos estoques e ao controle da produção das refinarias do que à compra de petróleo em quantidades exorbitantes. De toda forma, os estoques globais já consumiram 400 milhões de barris após mais de seis meses de guerra, apontam dados da Administração de Informação Energética dos EUA.