Não é de hoje que o
agronegócio enfrenta desafios, com muitos produtores rurais com a corda no pescoço por conta de linhas de financiamentos caríssimas, tanto que o próprio
Banco do Brasil (BBAS3) a duras penas se ergue em 2026. Mas, o que será que isso tem a ver com os
Fiagros?
Justamente pelo cenário macroeconômico desafiador no Brasil, basta só olhar o patamar de
taxa Selic vigente em 14,50% ao ano, as taxas exigidas pelos investidores são altíssimas para emprestar dinheiro às empresas do agronegócio que emitem
CRAs.
Logo, o desafio dos gestores de
Fiagros é garantir os melhores juros compostos possíveis com tais
títulos de renda fixa isentos, ao mesmo tempo que mantêm sob controle o risco de calote da carteira de
CRAs. A solução para o enigma, por ora, tem sido o reforço da chamada reserva de dividendos.
"Os
Fiagros passaram a reforçar de forma mais relevante suas reservas de resultados desde 2025, aproveitando a flexibilidade regulatória da classe, que não exige distribuição mínima obrigatória de 95% dos resultados, como ocorre no mercado de
FIIs. Existem Fiagros com reservas que cobrem mais de dois meses de dividendos, garantindo gordura para efeitos negativos na marcação a mercado", comentam os analistas Daniel Marinelli e Matheus Oliveira do BTG Pactual, em relatório publicado nesta sexta-feira (15).
A interrupção parcial do fluxo global de petróleo e derivados no Estreito de Ormuz em 2026 também levou um seleto grupo de Fiagros a acumular reservas de dividendos de até R$ 2,60 por cota, diante da forte alta nos preços de energia, combustíveis e
fertilizantes. Tal choque sobre diesel, gás natural e nitrogenados impacta diretamente a cadeia agrícola global, encarecendo o custo produtivo da
soja,
milho e
algodão.
Na visão do BTG Pactual, os
Fiagros com a maior parte de sua carteira indexada ao
CDI+ oferecem margem maior de proteção aos investidores neste ano, fora os descontos evidentes sob a ótica do indicador fundamentalista
P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) entre 0,60x e 0,80x.
Maiores reservas de dividendos em Fiagros
- Exes Araguaia (AGRX11): Dividendos de R$ 2,60 por cota e P/VPA de 0,80x
- Capitânia Agro Strategies (CPTR11): Dividendos de R$ 2,60 por cota e P/VPA de 0,85x
- Riza Agro (RZAG11): Dividendos de R$ 1,90 por cota e P/VPA de 0,92x
- BTG Pactual Crédito Agrícola Fiagro (BTAG11): Dividendos de R$ 1,70 por cota e P/VPA de 1,16x
- Itaú Asset Rural Fiagro (RURA11): Dividendos de R$ 1,40 por cota e P/VPA de 0,86x
- FG Agro Fiagro (FGAA11): Dividendos de R$ 1,00 por cota e P/VPA de 0,92x
- Galápagos Recebíveis do Agronegócio (GCRA11): Dividendos de R$ 0,90 por cota e P/VPA de 0,62x
- Vectis Datagro (VCRA11): Dividendos de R$ 0,70 por cota e P/VPA de 0,62x
- Valora CRA Fiagro (VGIA11): Dividendos de R$ 0,50 por cota e P/VPA de 1,02x
- Sparta Fiagro (CRAA11): Dividendos de R$ 0,40 por cota e P/VPA de 0,96x
- Kinea Crédito Agro (KNCA11): Dividendos de R$ 0,20 por cota e P/VPA de 0,90x