Fiagros têm reserva de dividendos de até R$ 2,60 por cota em 2026; veja lista

Diante do cenário de juros altos no Brasil e recuperações judiciais no agronegócio, gestores fazem caixa nos Fiagros.

Author
Publicado em 15/05/2026 às 18:29h Publicado em 15/05/2026 às 18:29h por Lucas Simões
AGRX11 e CPTR11 somam as maiores reservas de dividendos entre Fiagros (Imagem: Google Gemini/Gerado por IA)
AGRX11 e CPTR11 somam as maiores reservas de dividendos entre Fiagros (Imagem: Google Gemini/Gerado por IA)
Não é de hoje que o agronegócio enfrenta desafios, com muitos produtores rurais com a corda no pescoço por conta de linhas de financiamentos caríssimas, tanto que o próprio Banco do Brasil (BBAS3) a duras penas se ergue em 2026. Mas, o que será que isso tem a ver com os Fiagros?
Da mesma forma que os fundos imobiliários (FIIs) são capazes de gerar renda passiva mensal, os Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) também distribuem dividendos mensais aos cotistas, quer investindo diretamente em fazendas ou na aquisição de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio).
Justamente pelo cenário macroeconômico desafiador no Brasil, basta só olhar o patamar de taxa Selic vigente em 14,50% ao ano, as taxas exigidas pelos investidores são altíssimas para emprestar dinheiro às empresas do agronegócio que emitem CRAs.
Logo, o desafio dos gestores de Fiagros é garantir os melhores juros compostos possíveis com tais títulos de renda fixa isentos, ao mesmo tempo que mantêm sob controle o risco de calote da carteira de CRAs. A solução para o enigma, por ora, tem sido o reforço da chamada reserva de dividendos.
"Os Fiagros passaram a reforçar de forma mais relevante suas reservas de resultados desde 2025, aproveitando a flexibilidade regulatória da classe, que não exige distribuição mínima obrigatória de 95% dos resultados, como ocorre no mercado de FIIs. Existem Fiagros com reservas que cobrem mais de dois meses de dividendos, garantindo gordura para efeitos negativos na marcação a mercado", comentam os analistas Daniel Marinelli e Matheus Oliveira do BTG Pactual, em relatório publicado nesta sexta-feira (15).
A interrupção parcial do fluxo global de petróleo e derivados no Estreito de Ormuz em 2026 também levou um seleto grupo de Fiagros a acumular reservas de dividendos de até R$ 2,60 por cota, diante da forte alta nos preços de energia, combustíveis e fertilizantes. Tal choque sobre diesel, gás natural e nitrogenados impacta diretamente a cadeia agrícola global, encarecendo o custo produtivo da soja, milho e algodão
Na visão do BTG Pactual, os Fiagros com a maior parte de sua carteira indexada ao CDI+ oferecem margem maior de proteção aos investidores neste ano, fora os descontos evidentes sob a ótica do indicador fundamentalista P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) entre 0,60x e 0,80x. 

Maiores reservas de dividendos em Fiagros

  1. Exes Araguaia (AGRX11): Dividendos de R$ 2,60 por cota e P/VPA de 0,80x
  2. Capitânia Agro Strategies (CPTR11): Dividendos de R$ 2,60 por cota e P/VPA de 0,85x
  3. Riza Agro (RZAG11): Dividendos de R$ 1,90 por cota e P/VPA de 0,92x
  4. BTG Pactual Crédito Agrícola Fiagro (BTAG11): Dividendos de R$ 1,70 por cota e P/VPA de 1,16x
  5. Itaú Asset Rural Fiagro (RURA11): Dividendos de R$ 1,40 por cota e P/VPA de 0,86x
  6. FG Agro Fiagro (FGAA11): Dividendos de R$ 1,00 por cota e P/VPA de 0,92x 
  7. Galápagos Recebíveis do Agronegócio (GCRA11): Dividendos de R$ 0,90 por cota e P/VPA de 0,62x
  8. Vectis Datagro (VCRA11): Dividendos de R$ 0,70 por cota e P/VPA de 0,62x
  9. Valora CRA Fiagro (VGIA11): Dividendos de R$ 0,50 por cota e P/VPA de 1,02x
  10. Sparta Fiagro (CRAA11): Dividendos de R$ 0,40 por cota e P/VPA de 0,96x 
  11. Kinea Crédito Agro (KNCA11): Dividendos de R$ 0,20 por cota e P/VPA de 0,90x