Vale (VALE3): O que esperar da produção, dos resultados e dos dividendos do 2T26?

A companhia divulga o relatório de produção e vendas, uma prévia do balanço, nesta 3ª (21).

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Publicado em 21/07/2026 às 09:57h Publicado em 21/07/2026 às 09:57h por Marina Barbosa
Vale anuncia resultados e dividendos do 2T26 em 30 de julho (Imagem: Shutterstock)
Vale anuncia resultados e dividendos do 2T26 em 30 de julho (Imagem: Shutterstock)
A Vale (VALE3) divulga o relatório de produção e vendas do segundo trimestre de 2026 nesta terça-feira (21), após o fechamento do mercado.
A expectativa do mercado é de uma recuperação na produção e nas vendas, mas de custos mais elevados no trimestre. Ainda assim, deve ser o suficiente para sustentar um resultado financeiro sólido e dividendos bilionários.
O balanço da Vale será publicado no dia 30 de julho e deve ser acompanhado pelo anúncio de proventos, já que a política de remuneração aos acionistas da companhia prevê distribuições semestrais.

Produção

⚒️ O fim do período de chuvas e o avanço de projetos de expansão da capacidade devem permitir o crescimento da produção da Vale no segundo trimestre de 2026. 
Porém, a alta não deve ser de grandes proporções, já que as atividades das minas de Fábrica e Viga (MG) foram suspensas após os extravasamentos de água registrados no início do ano.
Pelos cálculos dos analistas, a produção de minério de ferro da Vale deve girar em torno de 80 milhões de toneladas a 85 milhões de toneladas no trimestre.
Ou seja, pode subir ligeiramente frente às 83,6 milhões de toneladas reportadas no mesmo período de 2025, mas crescer fortemente frente às 69,7 milhões de toneladas do primeiro trimestre deste ano.
"Esperamos que a Vale apresente um sólido 2T26, com uma produção de minério de ferro ligeiramente superior em relação ao ano anterior, apesar do impacto contínuo das paragens de Fábrica e Viga", afirmou o Santander.
Já em relação à unidade de metais básicos, a expectativa é de crescimento anual, mas retração frente ao trimestre anterior, devido a paradas de manutenção nas minas de cobre.
Em relação aos preços das commodities, a expectativa é de um avanço anual, mas de estabilidade ou leve recuo na comparação com o trimestre anterior.

Custos

📈 O segundo trimestre da Vale, no entanto, também deve ser marcado por uma alta de custos. Afinal, a variação cambial não ajudou a empresa e a alta do petróleo pressionou os custos dos combustíveis e do frete no período.
A expectativa do mercado é de um custo de produção (o custo caixa C1) de aproximadamente US$ 25 por tonelada de minério de ferro, bem superior aos US$ 22,2 e US$ 23,6 registrados no mesmo trimestre do ano passado e no primeiro trimestre deste ano, respectivamente.
A Genial Investimentos diz, por sua vez, que este deve ser o ápice do ciclo de custos, devido à recente valorização do real e à redução da pressão nos preços do petróleo.
"Antevemos um trimestre de recomposição sazonal de volumes, acompanhado de um ápice — a nosso ver transitório — na estrutura de custo", afirmou a Genial, lembrando que a própria Vale já indicou que "o pior já passou".

Ebitda

💲 Diante desse cenário, os analistas projetam um Ebitda consolidado de aproximadamente US$ 3,8 bilhões para a Vale -a Genial fala em US$ 3,82 bilhões, já o Santander projeta US$ 3,85 bilhões.
As projeções indicam uma ligeira queda do indicador frente ao mesmo período de 2025, quando chegou a US$ 3,89 bilhões, mas um avanço forte frente aos US$ 3,42 bilhões do primeiro trimestre de 2026.

Impacto nos dividendos

A política de remuneração aos acionistas da Vale prevê a distribuição semestral de dividendos, no valor de no mínimo 30% do Ebitda Ajustado menos o investimento corrente. 
Logo, a companhia deve anunciar proventos junto com o balanço do segundo trimestre de 2026, previsto para o próximo dia 30 de julho, após o fechamento do mercado. Já o pagamento deve ser realizado em setembro.

Recomendação

A Genial Investimentos projeta um DY (Dividend Yield) da ordem de 7% para a Vale em 2026, o que considera um retorno total atrativo frente ao atual valuation do papel.
A casa tem uma recomendação neutra (manter) para as ações da Vale no momento, com um preço-alvo de R$ 86. Porém, diz que o viés é construtivo (de compra).
"Nossa inclinação é elevar a recomendação caso o Relatório de Produção e Vendas (21/jul) e o resultado do 2T26 (30/jul) confirmem a recomposição de volumes, a resiliência de prêmios e o caráter transitório do pico de custo", afirmou a Genial.
Já o Santander tem uma recomendação de compra, com um preço-alvo de R$ 85,25.
As ações da Vale eram negociadas por R$ 71,93 no fechamento dessa segunda-feira (20). O papel já caiu mais de 7% neste mês de julho, devido às incertezas sobre a troca de comando do Conselho de Administração da empresa.
Essa história, porém, também pode ficar mais clara nesta semana, pois a eleição do novo chairman está marcada para esta quarta-feira (22).