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Vale (VALE3) tentou esclarecer nessa quarta-feira (8) a troca de comando do seu Conselho de Administração -processo que vem pesando sobre as ações da empresa e virou até motivo de
investigação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
🧾 Em um comunicado ao mercado publicado após questionamentos da CVM, a Vale admitiu ter fechado um contrato de compensação financeira com
Daniel Stieler, que deixou a presidência do seu Conselho de Administração de forma antecipada. Porém, negou irregularidades nesse acordo.
De acordo com a Vale, Daniel Stieler renunciou devido ao pedido da
Previ, o fundo de pensão do
Banco do Brasil (BBAS3), que é dono de aproximadamente 7% da empresa e vinha defendendo a renovação da administração como uma forma de fortalecer suas práticas de governança.
A mineradora diz, então, que não houve qualquer 'acordo', 'composição' ou 'indenização' que tenha condicionado a saída do executivo, como foi cogitado no mercado depois que uma reportagem do "Valor Econômico" sugeriu que o acordo de compensação teria facilitado a renúncia.
"A saída de Daniel antes do término de seu mandato decorreu de sua decisão pessoal de não resistir à posição pretendida pelo maior acionista de referência da Companhia, tendo em vista o melhor interesse da Vale", afirmou.
Os termos do acordo
💲 Apesar disso, a Vale admitiu que esse processo exigiu a adoção de cuidados adicionais, que passaram pela formalização de um Contrato de Compensação por Não Competição e Outras Avenças. Afinal, este foi um desligamento não planejado, ocorrido enquanto havia temas estratégicos ainda em maturação nos comitês chefiados por Stieler.
Nesse contexto, foi fechado um contrato de compensação financeira "por meio do qual Daniel assumiu obrigações de não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade pelo período de 24 meses, tendo em vista o amplo acesso que teve a informações confidenciais e estratégicas do Grupo Vale durante o exercício de suas funções".
De acordo com a Vale, os pagamentos previstos no contrato são uma contrapartida às obrigações assumidas pelo executivo. Logo, não se confundem com a remuneração decorrente do exercício do cargo de conselheiro.
"O Contrato celebrado com Daniel não constitui uma exceção ou modificação da política de remuneração dos membros do Conselho de Administração da Companhia, mas sim um instrumento específico e extraordinário, decorrente das circunstâncias particulares de seu desligamento, que estabelece obrigações (algumas delas recíprocas) de não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade", esclareceu.
Sem dar detalhes dos valores envolvidos no contrato, a Vale disse ainda que esses pagamentos estão em linha com as práticas de mercado e com os objetivos pretendidos pela companhia em situações dessa natureza. E ressaltou que os pagamentos passaram pelo crivo de uma empresa internacionalmente reconhecida, especializada em recrutamento de executivos, desenho estrutural, remuneração e desenvolvimento de liderança.
O impacto nas ações
A Vale disse que não havia divulgado os termos do contrato anteriormente por entender que essa questão não tinha o poder de influenciar de forma relevante a decisão de investimento dos acionistas ou a cotação dos valores mobiliários de emissão da companhia.
📉 As ações da Vale, no entanto, já caíram quase 8% nesta semana, devido às incertezas deflagradas pelo processo de transição da empresa. A CVM abriu até um
processo administrativo para investigar o assunto a pedido de um investidor.
Porém, esta não foi a única razão da derrocada das ações. O baque ganhou força na quarta-feira (8), depois que o Morgan Stanley cortou a recomendação para os papeis, de compra para neutra, devido ao cenário desafiador do mercado de minério de ferro e às pressões de custos enfrentadas pela Vale.