O setor produtivo brasileiro está reunido nos Estados Unidos para tentar convencer o governo de Donald Trump a desistir de aplicar um novo tarifaço contra o Brasil.
✈️ A comitiva conta com associações representativas da indústria e do
agronegócio brasileiro, além de representantes de empresas com forte atuação no mercado americano (e na bolsa de valores brasileira).
Weg (WEGE3) e
Taurus (TASA4), por exemplo, fizeram questão de enviar os presidentes das suas subsidiárias locais para audiências públicas com o governo americano.
O que dizem as empresas?
💲 O principal argumento das empresas é de que as tarifas não vão prejudicar apenas os negócios brasileiros, pois também podem elevar os custos para as empresas e os consumidores americanos, além de reduzir os investimentos e a criação de empregos no país.
"O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana", explica o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban.
O senador
Flávio Bolsonaro (PL) também se inscreveu para discursar nas audiências públicas que serão realizadas pelo governo americano para discutir o tarifaço contra o Brasil. Ele se diz contra as taxas, por entender que a cobrança prejudicaria os exportadores brasileiros e traria ganhos para o governo
Lula (PT).
O governo federal também tenta evitar o novo tarifaço. Porém, enviou apenas observadores para as audiências públicas, pois espera manter reuniões reservadas com autoridades americanas nos próximos dias.
A ameaça tarifária dos EUA
O governo de Donald Trump propôs uma nova taxa de 25% contra o Brasil, por acreditar que o país adota práticas comerciais injustas que prejudicam os interesses das empresas americanas.
O Pix e a venda de produtos piratas na rua de 25 de Março então entre as principais queixas do governo americano, que também menciona questões como a regulação das redes sociais, o desmatamento ilegal, o acesso ao mercado de etanol e o combate à corrupção no Brasil.
Além disso, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) incluiu o Brasil na lista de países que podem ser tarifados em mais 12,5% em razão de supostas práticas de trabalho análogo à escravidão.
As tarifas foram propostas no início de junho e não devem atingir produtos importantes para os americanos, como carne bovina, frutas, suco de laranja, café, papel e celulose, petróleo, terras raras, produtos químicos, aeronaves e peças do setor aeronáutico.
Porém, devem encarecer a venda de outros 4,1 mil produtos, incluindo ferro, açúcar, etanol e produtos florestais. Por isso, podem ter um impacto de até US$ 14,9 bilhões nas exportações brasileiras, pelos cálculos da CNI. Por isso, tem mobilizado o setor produtivo.
O governo dos Estados Unidos tem até 15 de julho para decidir se segue a recomendação do USTR e aplica as novas tarifas contra o Brasil. Antes disso, realiza uma série de audiências públicas para ouvir os potenciais afetados pelas tarifas. Os debates começam nesta segunda-feira (6) e devem se estender até quinta-feira (9).