Sem volta? Títulos dos EUA acima de 5% vieram para ficar, diz JPMorgan

Estratégista afirma que juros elevados nos Treasuries refletem um novo cenário de endividamento, crescimento e inflação.

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Publicado em 08/10/2026 às 08:44h Publicado em 08/10/2026 às 08:44h por Wesley Santana
Títulos do Tesouro já passaram por outros momentos de alta na história (Imagem: Shutterstock)
Títulos do Tesouro já passaram por outros momentos de alta na história (Imagem: Shutterstock)

Enquanto o governo dos Estados Unidos não consegue diminuir a taxa de juros, os títulos públicos alcançam níveis recordes. Nesta quarta (7), os bonds rendiam até 5,7%, conforme mostram dados do Tesouro dos EUA.

Para analistas, essa remuneração se tornou o “novo normal” dos títulos emitidos pela maior economia do mundo. O patamar acima dos 5% deve ser cada vez mais frequente, mesmo passadas datas importantes como as eleições de meio de mandato no país.

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“No cenário atual, diferentemente do período pré-crise financeira, temos países mais endividados, produtividade mais alta e crescimento econômico mais forte, o que pressiona a parte longa da curva [de juros]”, disse Marina Valentini, estrategista de mercados globais do JPMorgan Asset Management, em entrevista ao Money Times.

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No entanto, essa não é a primeira vez que os Treasuries norte-americanos passam da casa de 5%. A especialista lembra que, antes de 2007, a média de rendimento era ainda maior.

"Muitos olham para a alta recente e dizem que estamos voltando ao “velho normal”, ao período anterior, de 1960 a 2007, em que a média do Fed Funds era de 6%, enquanto a média do Treasury de 10 anos era de 6,8%. Estamos em uma nova fase, com algumas semelhanças, mas também diferenças muito importantes”, completa.

Há um plano de fundo que justifica essa alta, tendo como principal ingrediente a inflação anual. Nos EUA, ela tem sido puxada especialmente pelos preços do petróleo, que não dão trégua.

Com isso, o Fed (Federal Reserve) vem mantendo um posicionamento em relação à subida da taxa de juros no país. Agora, o indicador está no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

"Em geral, vemos isso como mais um sinal positivo de que o Tesouro tem um conjunto amplo de ferramentas para a gestão da curva, mas não será essa ferramenta que levará a uma queda duradoura dos juros. Para vermos uma queda sustentável dos rendimentos dos Treasuries, precisaríamos de um alívio nos preços do petróleo e uma normalização do Estreito de Ormuz, já que o petróleo tem estado muito correlacionado com a alta dos rendimentos dos Treasuries”, diz a analista do JP.

Como investir em bonds no Brasil

Embora pague menos que a renda fixa brasileira, que hoje está em cerca de 14% ao ano, os bonds são uma ótima opção para quem está buscando fazer investimentos no exterior. Além de garantir rendimentos futuros, os investidores mantêm suas reservas em uma moeda mais forte que o real. 

No Brasil, há várias opções para apostar nos bonds norte-americanos, dentro e fora da bolsa. As corretoras oferecem aplicações diretas e até ETFs que são expostos aos títulos de dívida do governo dos EUA. 

Em corretoras como Avenue, Nomad e Inter é possível encontrar os títulos diretamente. É só converter o real para o dólar, escolher o prazo de investimentos e aplicar seus recursos. 

Já nas opções mais tradicionais, como XP, BTG e outras, é possível optar por ETFs com carteiras expostas ao ativo. Uma dessas opções é o Investo USDB (USDB11), que segue um índice de títulos de médio prazo dos Estados Unidos, ou Trend Bloomberg Agg (AGGX11) que segue outro indicador do mesmo segmento.