SLC Agrícola (SLCE3) amplia plantio para 854 mil hectares na safra 2026/27

A companhia projeta plantar 854,4 mil hectares na safra 2026/27, e já travou o preço de mais da metade da soja e do algodão.

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Publicado em 07/10/2026 às 20:23h Publicado em 07/10/2026 às 20:23h por Matheus Silva
Hoje, 57% dos custos de produção da SLC estão atrelados ao dólar (Imagem: Shutterstock)
Hoje, 57% dos custos de produção da SLC estão atrelados ao dólar (Imagem: Shutterstock)
🌱 A SLC Agrícola (SLCE3) divulgou nesta quarta-feira (7) suas projeções para a safra 2026/27, com expansão da área plantada e custos de produção mais elevados. 
A companhia prevê cultivar 854,4 mil hectares no próximo ciclo, um crescimento de 2,2% em relação à safra anterior. Na mesma proporção, o custo médio de produção por hectare deve subir 2,2%, chegando a R$ 7.217.
O planejamento mostra uma empresa que busca crescer de forma seletiva, ajustando o peso de cada cultura em sua carteira para priorizar as lavouras mais rentáveis, ao mesmo tempo em que lida com um cenário de insumos mais caros.

Algodão de segunda safra irrigado puxa a expansão da área

Segundo a companhia, o principal motor do aumento da área é o algodão de segunda safra, impulsionado sobretudo pela ampliação das áreas irrigadas. A SLC também redistribuiu o mix de culturas com foco em rentabilidade, sem abrir mão da rotação de lavouras, prática considerada essencial para a saúde do solo e a produtividade de longo prazo.
A soja segue como a principal cultura do portfólio. Considerando a produção comercial e a de sementes, a oleaginosa ocupará 442,1 mil hectares, alta de 2,9%, o que representa 51,7% de toda a área plantada pela empresa.
No algodão, a área total deve chegar a 200,4 mil hectares, avanço modesto de 0,3%. O número, porém, esconde uma mudança relevante na composição. O plantio de primeira safra será reduzido em 10,8%, para 92,2 mil hectares, enquanto a segunda safra crescerá 12,2%, para 108,2 mil hectares, reforçando a aposta da companhia no cultivo irrigado.
O milho de segunda safra seguirá na direção oposta, com recuo de 2,3%, para 154,6 mil hectares. Já as demais culturas e atividades vão ocupar 57,3 mil hectares, alta de 18,4%. A empresa ressalta que fatores climáticos ainda podem alterar as projeções de plantio ao longo do ciclo.

Fertilizantes em dólar pressionam o orçamento

O aumento dos custos orçados para a nova safra reflete principalmente a alta dos fertilizantes cotados em dólar, combinada a uma inflação projetada de 4% para o período. Esses fatores, porém, foram parcialmente compensados por dois elementos favoráveis, a queda dos preços dos defensivos em dólar e a valorização do real considerada no planejamento.
A taxa de câmbio adotada no orçamento da safra 2026/27 foi de R$ 5,20 por dólar, abaixo dos R$ 5,45 usados no ciclo anterior. A premissa é especialmente importante para a companhia, já que 57% de seus custos de produção estão hoje indexados à moeda americana. Na prática, um real mais forte ajuda a aliviar a conta dos insumos importados.
Entre as culturas, o milho de segunda safra apresenta a maior elevação de custo por hectare, de 3,8%, para R$ 4.510. Na soja, o aumento previsto é de 2,1%, para R$ 5.292. No algodão, as altas são de 1,8% na primeira safra, para R$ 14.102 por hectare, e de 1,9% na segunda, para R$ 13.088 por hectare.
Para tornar a comparação entre os ciclos mais precisa, a SLC utilizou as áreas da safra 2026/27 como ponderação nos dois orçamentos, eliminando o efeito das mudanças no mix de culturas sobre o custo médio.
Do lado da produtividade, as estimativas são de avanço. A empresa projeta colher 4.080 quilos de soja por hectare, alta de 1,1% sobre o valor orçado para 2025/26, e 7.957 quilos de milho de segunda safra por hectare, aumento de 2,8% na mesma comparação.

Mais da metade da soja e do algodão já está com preço protegido

Um dos pontos que ajudam a dar previsibilidade aos resultados da companhia é o nível de proteção de preços já contratado. A SLC informou que 52,9% da soja da safra 2026/27 está com hedge de preço, a uma média de US$ 12,36 por bushel. No algodão, a proteção alcança 62,2% da produção, a 79,14 centavos de dólar por libra-peso.
Esses valores têm como referência a base FOB porto e ainda estão sujeitos a despesas de transporte e possíveis descontos de qualidade até refletirem os preços efetivamente recebidos nas unidades de produção.
No milho, a posição de hedge é bem menor, de 6,3% da safra, a um valor equivalente a R$ 53,04 por saca, na fazenda.
A proteção cambial também já começou a ser montada. Na soja, 23,8% da exposição está protegida a R$ 5,3916 por dólar. No algodão, o percentual é de 23%, a R$ 5,7642. No milho, de 6,3%, a R$ 5,5083.

Gado e sementes completam as projeções para 2027

Além das lavouras, a SLC também divulgou estimativas para outras frentes do negócio. Para 2027, a companhia prevê a venda de 112,5 mil cabeças de gado e a produção de 86.280 big bags de sementes, destinadas a terceiros, a operações entre empresas do grupo e ao consumo interno. 
📊Desse total, 76 mil big bags serão de soja, 6.280 de algodão e 4 mil de braquiária.