Ibovespa cai pelo 2º dia com Vale e bancos pesando e dólar volta a R$ 5

O índice caiu 0,74% nesta quarta-feira (7) com a ata do Fed indicou nova alta de juros nos EUA ainda em 2026.

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Publicado em 07/10/2026 às 18:12h - Atualizado em 07/10/2026 às 18:23h Publicado em 07/10/2026 às 18:12h Atualizado em 07/10/2026 às 18:23h por Matheus Silva
Nos dois pregões após o 1º turno, 18 ações subiram mais de 20% (Imagem: Shutterstock)
Nos dois pregões após o 1º turno, 18 ações subiram mais de 20% (Imagem: Shutterstock)
📉 O mercado brasileiro seguiu em modo de correção nesta quarta-feira (7). Depois da disparada de 7,70% registrada na segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, o Ibovespa (IBOV) emendou a segunda queda consecutiva e fechou em baixa de 0,74%, aos 204.302,33 pontos, uma perda de 1.532,96 pontos. Na véspera, o índice já havia recuado 0,52%.
Ao longo da sessão, o principal índice da bolsa oscilou entre a máxima de 206.877,47 pontos e a mínima de 204.176,12 pontos, com volume financeiro de R$ 56,80 bilhões. Mesmo com as duas baixas seguidas, o saldo segue amplamente positivo, com valorização de 6,34% na semana, de 9,64% em outubro e de 26,80% no acumulado de 2026.
No câmbio, o real interrompeu uma sequência de três altas e o dólar comercial avançou 0,70%, sendo cotado a R$ 5,011, depois de oscilar entre R$ 4,98 e R$ 5,01. O movimento acompanhou o fortalecimento global da moeda americana, com o índice DXY subindo 0,44%, aos 102,28 pontos. Os juros futuros fecharam em alta por toda a curva.

Mercado aposta em Flávio, mas passa a cobrar plano fiscal concreto

Passada a euforia inicial com o resultado das urnas, o foco dos investidores começou a migrar das expectativas para os detalhes. Parte relevante do mercado passou a tratar o senador Flávio Bolsonaro (PL) como favorito para o segundo turno, mas a pergunta agora é o que o candidato pretende fazer na economia.
Até o momento, as sinalizações ainda são genéricas. Flávio afirmou que pretende alterar a reforma tributária, sem detalhar quais pontos seriam modificados. Analistas que acompanham o Brasil avaliam que um eventual governo do senador teria mais chances de enfrentar o déficit público, mas ressaltam que ainda não houve apresentação de um plano detalhado para isso.
Os grandes bancos internacionais reforçam essa leitura. Morgan Stanley, JPMorgan e Goldman Sachs passaram a adotar uma visão mais construtiva para ações, câmbio e fluxo de capitais, mas todos condicionam a continuidade do movimento à trajetória fiscal do país.
O Itaú BBA também reforçou a recomendação de compra para ações brasileiras no contexto da América Latina, avaliando que a precificação atual do mercado é compatível com um cenário de ajuste fiscal gradual.
O fluxo estrangeiro foi um dos motores da recente alta. No chamado "Flávio Day", investidores internacionais aportaram cerca de R$ 10 bilhões na bolsa em um único pregão, e analistas avaliam que ainda há espaço relevante para novas entradas. 
Diante desse cenário, a XP passou a promover um aumento "disciplinado" do risco nas carteiras, reduzindo o peso do pós-fixado e ampliando a exposição a ativos domésticos, mas ponderou que a continuidade do movimento depende do segundo turno e de sinais concretos sobre a agenda fiscal.
Do lado do governo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, demonstrou ceticismo com a reação do mercado. "Tenho dificuldade em entender essa euforia", afirmou, defendendo que a agenda econômica precisa combinar responsabilidade fiscal, credibilidade e esforço contínuo para melhorar as contas públicas.
No campo da inflação, os dados também acenderam um sinal de alerta. O IGP-DI subiu 1,50% em setembro, depois de avançar apenas 0,06% em agosto, acumulando alta de 3,80% em 12 meses. Na avaliação da XP, a "lua de mel" com a inflação chegou ao fim, e o Banco Central deve conduzir o ciclo de cortes da Selic de forma cautelosa.

Ata do Fed indica nova alta de juros nos EUA até o fim do ano

No exterior, o grande evento do dia foi a divulgação da ata da reunião de setembro do Federal Reserve, quando o banco central americano elevou os juros pela primeira vez desde 2023. O documento mostrou que todos os participantes apoiaram a alta de 25 pontos-base e que a maioria avaliou que ao menos mais um aumento provavelmente será apropriado até o fim do ano, seja em outubro ou em dezembro.
"A ata do FOMC referente à decisão de setembro confirmou a mudança para uma postura mais restritiva, diante da persistência da inflação, da atividade sólida e de um mercado de trabalho próximo do pleno emprego", avaliou Leandro Padulla, economista do ASA. 
Segundo ele, o Fed revisou para cima as projeções de inflação entre 2026 e 2028 e passou a prever a convergência para a meta de 2% apenas em 2029. "Diferentemente das últimas reuniões, contudo, o documento trouxe algum guidance para os próximos passos da política monetária, embora sem definir a magnitude ou o timing do aperto adicional", acrescentou.
Os rendimentos dos Treasuries voltaram a renovar as máximas desde 2002, especialmente no vértice de 10 anos, e pressionaram as bolsas americanas. O Dow Jones recuou 0,66%, aos 51.179,22 pontos, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq cederam 0,22% cada, aos 7.801,73 pontos e 27.538,69 pontos, respectivamente. 
As bolsas europeias também fecharam com fortes quedas. No petróleo, o Brent para novembro recuou 0,38%, a US$ 100,20 o barril, e o WTI caiu 1,30%, a US$ 88,28.

Vale recua pela terceira vez e bancos ampliam perdas

No mercado local, a queda do índice foi puxada principalmente pela Vale (VALE3), que recuou 2,30% e registrou a terceira baixa consecutiva, e pelos grandes bancos, que voltaram a cair com intensidade. O Bradesco (BBDC4), papel mais negociado do dia, perdeu 3,68%. 
O Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 2,66%, o Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 1,87% e o Santander (SANB11) caiu 1,01%. A B3 (B3SA3), uma das maiores altas do dia seguinte à eleição, registrou nova baixa, de 1,54%.
A maior queda do Ibovespa ficou com a Natura (NATU3), que despencou 9,03%. A Embraer (EMBJ3) seguiu em trajetória negativa e recuou 5,11%, enquanto a Hapvida (HAPV3) caiu 4,59% e o Assaí (ASAI3) perdeu 4,43%.

Petrobras, varejo e frigoríficos evitam queda maior

O tombo só não foi maior graças à Petrobras (PETR4), que sustentou alta de 0,95%. Em relatório divulgado no mesmo dia, o Itaú BBA estimou que a ação pode ter potencial adicional de valorização entre 35% e 40%, caso a diferença de avaliação em relação a outras grandes petroleiras diminua.
O varejo também ajudou. O Magazine Luiza (MGLU3) liderou as altas do índice, com avanço de 5,09%, recuperando parte das perdas da véspera. As construtoras Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) subiram 4,89% e 4,77%, respectivamente. Entre os frigoríficos, a MBRF (MBRF3) ganhou 4,10% e a Minerva (BEEF3) avançou 2,22%.
Fora do Ibovespa, o GPA (PCAR3) subiu 4,15% depois que a Justiça homologou seu plano de recuperação extrajudicial. O índice de Small Caps (SMLL) fechou em alta de 0,93%, aos 2.637,32 pontos, e o IFIX, de fundos imobiliários, avançou 1,19%, aos 3.955,32 pontos, na máxima do dia.

Primeiro Datafolha do 2º turno entra no radar

📊 Para esta quinta-feira (8), a agenda de indicadores é esvaziada, mas o mercado deve concentrar as atenções na divulgação da primeira pesquisa Datafolha de intenção de voto para o segundo turno, que vai mostrar como Lula e Flávio largam na reta final da disputa presidencial.