Selic a 14,25% ao ano: Veja quanto a renda fixa paga com a nova taxa de juros

Compare os rendimentos anuais da poupança, Tesouro Selic, CDB, LCI e LCA.

Author
Publicado em 18/06/2026 às 11:01h Publicado em 18/06/2026 às 11:01h por Marina Barbosa
A Selic caiu para 14,25% na quarta-feira (17), mas mercado vê chances de alta dos juros (Imagem: Shutterstock)
A Selic caiu para 14,25% na quarta-feira (17), mas mercado vê chances de alta dos juros (Imagem: Shutterstock)
Os ativos de renda fixa vão pagar um pouco menos agora que a taxa Selic caiu de 14,50% para 14,25% ao ano. Ainda assim, seguem oferecendo retornos atrativos para os investidores.
🏦 O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira (18). Porém, adotou um tom duro e deixou em aberto o rumo dos juros, devido ao avanço da inflação, à recuperação da atividade econômica brasileira e às incertezas do cenário externo.
Diante disso, o mercado avalia que este pode ter sido um dos últimos cortes, se não o último corte da taxa Selic de 2026. Alguns analistas já falam até na possibilidade de uma nova alta dos juros.
Resultado: a curva de juros cedeu um pouco no curto prazo, mas segue rodando em patamares elevados no longo prazo, o que sustenta retornos atrativos na renda fixa.

Na ponta do lápis

💲 Para se ter ideia, os investimentos atrelados ao CDI ainda oferecem um rendimento bruto superior a 14,50% ao ano, mesmo diante do novo corte da Selic, de acordo com o estrategista de investimentos do C6 Bank, Marcelo Freller.
"Hoje a curva de juros precifica uma alta das taxas nos próximos semestres, inclusive terminando o ano que vem perto de 15%. Por isso, o DI janeiro 2029 está pagando acima da Selic", explicou Freller.
Segundo os cálculos do especialista, os investimentos atrelados ao CDI estão pagando 14,55% brutos por ano no momento. Por isso, poderiam transformar uma aplicação de R$ 10.000 em R$ 11.455,00 após 12 meses.
💸 Vale lembrar, porém, que esses títulos estão sujeitos à retenção de IR (Imposto de Renda). Por isso, a rentabilidade líquida após a tributação é de 12%. Ou seja, um valor líquido de R$ 11.200,38.
Ainda assim, o ganho supera e muito o da caderneta de poupança, cujo retorno fica travado sempre que a Selic supera 8,5% ao ano e, por isso, entregaria um valor de R$ 10.820,00 nesse cenário.
Porém, é inferior à rentabilidade líquida de títulos isentos de IR, como LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio).
LCIs e LCAs que pagam 90,68% do CDI, por exemplo, estão entregando um retorno anual de 13,19%. Logo, uma aplicação de R$ 10.000 chegaria a R$ 11.319,39 nesses ativos após 12 meses.

Veja quanto paga a renda fixa nesse cenário:

O cálculo do C6 Bank considera uma aplicação de R$ 10.000 em um prazo de 1 ano, além dos retornos embutidos na curva de juros em 17 de junho de 2026, já descontando o IR. Confira:
  • Poupança: 8,20% - R$ 10.820,00;
  • CDI: 12,00% - R$ 11.200,38;
  • Tesouro Selic 2028 (Selic + 0,05%): 11,91% - R$ 11.191,28;
  • CDB a 102% do CDI, com liquidez diária: 12,24% - R$ 11.224,38;
  • CDB a 104% do CDI: 12,48% - R$ 11.248,39;
  • LCI/LCA a 90,68% do CDI: 13,19% - R$ 11.319,39;
  • CDB a IPCA+ 8,20% ao ano: 10,43% - R$ 11.043,38;
  • CDB pré-fixado a 14,80% ao ano: 12,21% - R$ 11.221,00.

E se a Selic ficasse em 14,25%?

Caso a Selic ficasse parada nos atuais 14,25%, esses retornos seriam ainda menores. Veja o retorno líquido em uma aplicação de R$ 10 mil, segundo a XP:
  • Poupança: R$ 10.702,96;
  • Tesouro Selic 2031: R$ 11.154,35;
  • CDI a 100% do CDI: R$ 11.162,43;
  • LCI e LCA a 85% do CDI: R$ 11.197,61.

Como investir na renda fixa com a Selic a 14,25%?

Diante da perspectiva de que a inflação siga pressionada e exija a manutenção de juros altos por mais tempo, dois tipos de títulos despontam como as principais apostas do mercado na renda fixa:
  • os títulos indexados à inflação;
  • os títulos pós-fixados, que acompanham o rendimento da Selic ou do CDI.
A XP avalia que "as taxas nominais e reais seguem elevadas, sustentando um ambiente atrativo para a renda fixa como um todo". Porém, recomenda prazo médio de até 6 anos, principalmente nos títulos indexados à inflação de emissores com boa qualidade de crédito.
Já o estrategista de investimentos do C6 Bank,  Marcelo Freller, prefere apostar nos títulos pós-fixados.
"Os pós-fixados apresentam menor risco e taxas ainda elevadas, diferente dos prefixados, que têm bastante volatilidade e não se tornam tão atrativos neste cenário pré-eleitoral e de ambiente geopolítico ainda em risco", explicou.