Investir em ETFs e Fiagros está na moda em 2026 e só dá recorde

Enquanto a indústria geral de fundos de investimento encolheu em julho, ETFs e Fiagros despontaram.

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Publicado em 08/08/2026 às 10:14h Publicado em 08/08/2026 às 10:14h por Lucas Simões
ETFs e Fiagros oferecem maior diversificação aos investidores (Imagem: Shutterstock)
ETFs e Fiagros oferecem maior diversificação aos investidores (Imagem: Shutterstock)
A indústria de fundos de investimento no Brasil até pode ter registrado mais resgates do que novos depósitos em julho de 2026, com saldo negativo de R$ 25,3 bilhões. Porém, não quer dizer que os investidores ignoram a possibilidade de delegar o seu patrimônio nas mãos de um gestor profissional para multiplicá-lo.
Os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) apontam que tanto a categoria dos ETFs (fundos de índices listados em bolsa de valores) quanto dos Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) bateram recordes de procura.
Só os ETFs registraram captação líquida positiva de R$ 1,5 bilhão em julho. No acumulado do ano, o saldo positivo chega a R$ 34,1 bilhões, o maior da série histórica do segmento iniciada em 2006. O montante já supera em 47% toda a captação líquida registrada pelos ETFs em 2025, no total de R$ 23,2 bilhões.
Vale recordar que os ETFs permitem que os investidores tenham acesso a uma cesta de ativos com um único aporte, como, por exemplo, ocorre quando se adquire cotas do ETF BOVA11, o fundo de índice que replica o desempenho do Ibovespa, composto pelas maiores empresas listadas na bolsa de valores brasileira. 
Já os Fiagros tiveram entrada líquida de R$ 755 milhões. No acumulado de 2026, os pagadores de dividendos mensais que ligam o investidor ao agronegócio captaram R$ 6,2 bilhões. Os Fiagros nasceram com o objetivo de replicar o sucesso dos Fundos Imobiliários (FIIs).
“Os resultados de ETFs e Fiagros evidenciam movimentos importantes para a indústria. O recorde de captação dos ETFs mostra o amadurecimento desse produto, com uma demanda cada vez maior dos investidores por instrumentos que combinam diversificação, liquidez e baixo custo. Já o desempenho dos Fiagros reforça a relevância desses veículos na alocação de recursos para setores estratégicos da economia”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima.

Renda fixa, multimercados e ações 

Mesmo que investimentos como o Tesouro Direto e debêntures sigam pagando bem ao acompanharem a taxa Selic em patamar historicamente elevado, os fundos de renda fixa registraram resgates líquidos de R$ 19,8 bilhões em julho, pressionados principalmente pelos produtos do tipo duração baixa soberano, que investem integralmente em títulos públicos federais. Eles responderam por saídas de R$ 17,7 bilhões.
Outra categoria que derrapou no mês passado forma os fundos multimercados, com resgates líquidos de R$ 5,6 bilhões em julho, uma desaceleração em relação às retiradas de R$ 11,2 bilhões observadas em junho. Só os fundos do tipo livre registraram saídas de R$ 4,2 bilhões. No acumulado do ano, os multimercados registram captação líquida negativa de R$ 12,2 bilhões.
Apesar de o Ibovespa ter quebrado um jejum de quatro meses negativos, subindo +3,47% em julho, os investidores mais resgataram do que aportaram nos fundos de ações, gerando retirada líquida de R$ 2 bilhões. Considerando todas as estratégias, a categoria encerrou o mês com saída líquida de R$ 1,4 bilhão e acumula resgates de R$ 8 bilhões em 2026.