A disputa pela presidência da República ficou ainda mais acirrada nas vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. Por isso, o JP Morgan decidiu fazer as contas para entender como diferentes resultados eleitorais podem afetar as ações da B3.
O banco não citou os nomes dos candidatos, mas acredita que o resultado das urnas pode trazer caminhos diferentes para as contas públicas e, assim, afetar a confiança dos investidores e as taxas de juros.
📉 De um lado, o JP Morgan acredita que a vitória de um candidato que se comprometa com reformas fiscais pode elevar a confiança do mercado, derrubar as taxas de juros e valorizar o real, levando o
dólar para perto de R$ 4,90.
É um cenário que poderia favorecer as ações de shoppings,
construtoras de média e alta renda e empresas de autopeças com exposição ao mercado doméstico, que tendem a se beneficiar de juros menores.
A eventual queda da
Selic ainda poderia trazer um alívio para empresas muito alavancadas, lembraram os analistas.
📈 Do outro lado, o JP Morgan acredita que a continuidade da atual política fiscal afetaria a confiança dos investidores, levando à manutenção de juros elevados e à depreciação do câmbio. O JP Morgan vê o dólar subindo até R$ 5,50 nesse cenário.
Neste caso, o banco prefere apostar em construtoras de baixa renda com atuação no Minha Casa, Minha Vida ou nas empresas de autopeças com exposição ao mercado externo.
💸 Na dúvida sobre qual lado deve sair vencedor nas urnas, o JP Morgan ainda decidiu mapear as ações que poderiam sair ganhando em qualquer cenário.
A aposta aqui é em empresas com exposição internacional, que não dependem tanto do comportamento da economia doméstica para lucrar.
Essas companhias, no entanto, também poderiam sofrer em caso de uma forte valorização do real. Porém, o JP Morgan considera esse cenário improvável, dada a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos.
Veja as ações escolhidas pelo JP Morgan para enfrentar cada um desse cenários:
Cenário 1: Reforma fiscal e juros mais baixos
Cenário 2: Continuidade da política fiscal e juros elevados
Ações para qualquer cenário:
E o varejo?
O varejo também pode sair ganhando com uma eventual queda dos juros. Porém, o JP Morgan acredita que a seleção de ações deve ser mais cautelosa neste setor.
No entanto, acredita que essa possibilidade já está embutida nos preços dos papeis. Afinal, MGLU3 subiu mais de 58% nos últimos 30 dias e ASAI3, 33%.
Ainda assim, o banco acredita que o desfecho eleitoral não apaga as incertezas sobre o que virá da economia brasileira em 2027.
A leitura é de que algumas ações podem até saltar na Bolsa dependendo do resultado das urnas, mas que dificuldades continuarão em campo em qualquer um dos cenários.
A expectativa é de uma desaceleração da economia brasileira em 2027, dado os juros elevados, a inadimplência recorde, as incertezas fiscais e os riscos inflacionários.