Americanas (AMER3) nega atrasos de pagamento aos credores
A empresa diz que as reclamações dos credores são antigas e já foram respondidas.
No mês passado, a Justiça autorizou uma série de mandados de busca e apreensão em alvos ligados às Lojas Americanas (AMER3). Algumas semanas depois, a imprensa teve acesso aos autos, nos quais a magistrada Giovana Teixeira Brantes Calmon destaca que os sócios “tinham plena ciência” do que acontecia na companhia de varejo.
Na ocasião, a polícia cumpriu mandados nas casas de Beto Sicupira, Eduardo Saggioro e Paulo Alberto Lemann. Todos eles são os chamados acionistas de referência, que detêm a maior parte das ações da empresa que negocia os papéis na bolsa.
A juíza destaca que, diferentemente do que os acionistas destacam, eles atuavam e eram atualizados sobre todo o negócio por meio do então CEO Miguel Gutierrez. Ela descreve a parceria deles como uma relação de mútua confiança.
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“Os alvos tinham conhecimento das manipulações de resultado do Grupo Americanas, tendo contribuído para as práticas delitivas por deterem o domínio funcional do fato, ainda que não se possa acessar, neste momento, prova direta e explícita na qual constem como interlocutores", afirma.
Ela ressalta, porém, que não há provas de que os acionistas em questão tenham participado de conversas que tratariam de manobras estruturais. Além disso, também pontua que não há situações que apontem que eles se envolveram na modificação de cartas ou comunicados divulgados pela companhia.
"Contudo, a conclusão acerca da ciência e participação dos acionistas controladores nos eventos delitivos deve levar em consideração a reunião dos indícios até então coletados e o próprio contexto fático, mercadológico e econômico", diz a magistrada no despacho, divulgado por jornais como Folha de S.Paulo e Estadão.
Em resposta à imprensa, a assessoria dos empresários destacou que as investigações apontam que eles foram enganados pela antiga diretoria. Também diz que a suposição de que eles sabiam da fraude não tem nenhum respaldo na realidade dos fatos e é contrária à lógica econômica.
"Ao contrário dos ex-diretores responsáveis pela fraude —que venderam ações da companhia pouco antes da revelação do escândalo, em operações que somaram cerca de R$ 250 milhões, e que receberam centenas de milhões em bônus com base em resultados falsificados—, nenhum acionista de referência vendeu qualquer participação relevante na companhia”, pontua.
A empresa diz que as reclamações dos credores são antigas e já foram respondidas.
A varejista reiterou que os R$ 25,3 bilhões referentes aos lançamentos indevidos e às fraudes contábeis já foram divulgados ao mercado.