AMER3: CVM fecha nova "delação" sobre fraude nas Americanas

Expectativa é que acordo gere mais informações sobre esquema que provocou rombo bilionário.

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Publicado em 11/09/2026 às 15:49h Publicado em 11/09/2026 às 15:49h por Marina Barbosa
Americanas enfrentam crise desde 2023, após a descoberta de fraudes contábeis bilionárias (Imagem: Shutterstock)
Americanas enfrentam crise desde 2023, após a descoberta de fraudes contábeis bilionárias (Imagem: Shutterstock)
As investigações sobre a fraude contábil das Americanas (AMER3) estão prestes a entrar em uma nova etapa.
⚖️ Isso porque a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) acaba de fechar um novo Acordo Administrativo em Processo de Supervisão sobre o caso.
Esse tipo de acordo funciona como uma delação premiada: uma pessoa ou empresa colabora com as investigações da CVM, em troca da redução da própria pena.
O mecanismo já foi usado duas vezes no caso das Americanas, em 2023 e 2025. Ainda assim, a CVM entendeu que o novo procedimento seria importante para gerar mais insumos para o trabalho de apuração e análise dos fatos.

O acordo

O acordo foi proposto por livre e espontânea vontade por uma "determinada pessoa" que não teve o novo revelado pela autarquia.
⚠️ Esta pessoa disse estar disposta a confessar e colaborar com a apuração de determinadas irregularidades relacionadas ao conteúdo do fato relevante em que a Americanas revelou inconsistências contábeis da ordem de R$ 20 bilhões em 11 de janeiro de 2023, bem como a outras irregularidades praticadas no âmbito da companhia.
A CVM fez uma análise prévia dos elementos apresentados na proposta e do histórico de conduta do proponente e decidiu aceitar a proposta. Segundo a autarquia, a decisão levou em conta os seguintes fatores:
  • a gravidade, repercussão e consequências das infrações para o mercado de capitais e sociedade brasileira; 
  • o status dos processos administrativos em curso perante diferentes áreas técnicas da CVM; 
  • a complexidade do tema, o que inclui o longo período, as companhias diferentes e os inúmeros participantes envolvidos nas infrações;
  • o volume de documentos e informações fornecidas pelo signatário;
  • a complementariedade das informações e documentos para as investigações em curso; 
  • o compromisso de cooperação efetiva, plena e permanente do signatário na elucidação dos fatos.
O acordo foi formalizado na última quarta-feira (9) e prevê a extinção ou redução da pena aplicável ao colaborador, desde que haja efetiva, plena e permanente cooperação para a apuração dos fatos e que esse trabalho seja útil para o processo.

A fraude das Americanas

💲 A Americanas encontrou um rombo bilionário no seu balanço no início de 2023, fruto de uma fraude contábil orquestrada por alguns dos seus ex-diretores.
O problema fez a empresa afundar na Bolsa e entrar em recuperação judicial e vem sendo investigado desde então, inclusive por meio de delações premiadas firmadas por ex-diretores da varejista com o MPF (Ministério Público Federal).
Com base nessas investigações, a PF (Polícia Federal) deflagrou a Operação Disclosure e pediu a prisão de ex-diretores da Americanas em junho de 2024, incluindo o ex-CEO Miguel Gutierrez.
Em junho de 2026, a PF voltou às ruas para apurar se acionistas da empresa e bancos privados também participaram do esquema. 
Na ocasião, a Justiça ainda determinou o sequestro de até R$ 54 bilhões em bens e valores dos investigados. Entre eles, os empresários Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann.
A suspeita da PF era de que alguns acionistas sabiam da fraude contábil e lucraram com a venda de ações valorizadas artificialmente, o que implicaria nos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.