Ibovespa dispara com Vale e WEG na liderança enquanto tarifaço entra em vigor

O índice subiu 2,44% aos 177.547 pontos nesta quarta (22), impulsionado por blue chips, petróleo e forte apetite a risco local.

Author
Publicado em 22/07/2026 às 18:07h Publicado em 22/07/2026 às 18:07h por Matheus Silva
O dólar comercial caiu 0,43%, cotado a R$ 5,05 (Imagem: Shutterstock)
O dólar comercial caiu 0,43%, cotado a R$ 5,05 (Imagem: Shutterstock)
📈 O Ibovespa (IBOV) encerrou esta quarta-feira (22) em alta de 2,44%, aos 177.547,56 pontos, ignorando o tom negativo de Wall Street e ganhando fôlego com as blue chips em um dia marcado por forte apetite a risco no cenário doméstico e valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. O dólar à vista recuou 0,43%, encerrando a R$ 5,05.
O resultado é especialmente relevante porque o tarifaço de 25% anunciado pelos EUA sobre produtos brasileiros entrou em vigor justamente nesta quarta-feira, mas os investidores optaram por olhar para os resultados corporativos e para o fluxo de capital estrangeiro em direção a mercados emergentes.
Na tentativa de conter os impactos das tarifas americanas, o governo federal anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas. Do total previsto para a nova etapa do plano Brasil Soberano, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional, enquanto R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), segundo o Palácio do Planalto.

WEG dispara 10% e movimenta R$ 1,46 bi

A ponta positiva do Ibovespa foi liderada pela WEG (WEGE3), que também foi a ação mais negociada da B3 (B3SA3) no dia. Os papéis subiram 10,06%, a R$ 46,74, movimentando R$ 1,466 bilhão em cerca de 74 mil negócios.
A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,55 bilhão no segundo trimestre, recuo de 2,1% frente ao mesmo período do ano anterior e avanço de 7% sobre o último trimestre. O resultado veio em linha com as expectativas, como as projeções reunidas pela Bloomberg apontando para lucro de R$ 1,5 bilhão no período.

Vale salta 4% com prévia operacional recorde

Todos os olhos, porém, ficaram concentrados na Vale (VALE3), que detém 11% de participação no Ibovespa e encerrou o dia com salto de 3,96%, a R$ 75,10. Os investidores reagiram à prévia operacional e à eleição do Conselho de Administração, fatores que contribuíram para a entrada de fluxo estrangeiro.
O relatório de produção confirmou a esperada recuperação operacional no 2T26. A mineradora registrou avanço na produção e nas vendas de seus principais segmentos, com destaque para o minério de ferro, que alcançou seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
Em AGE (Assembleia Geral Extraordinária) realizada nesta quarta, os acionistas elegeram Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como "Ollie", para a presidência do Conselho de Administração. Ollie, que já integrava o colegiado e contou com o apoio da Previ, derrotou Marcelo Gasparino em uma disputa que reacendeu o debate sobre a influência dos grandes acionistas na governança da companhia.

Petrobras avança mais de 2% com petróleo em alta

A Petrobras (PETR4) também ganhou fôlego com a disparada do petróleo no exterior. A PETR3 subiu 2,39%, a R$ 45,90, e a PETR4 avançou 2,21%, a R$ 42,58. Além da valorização da commodity, o BB Investimentos elevou a recomendação das ações PETR4 de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 45, o que implica potencial de valorização de 8% sobre o fechamento de ontem.
O setor bancário também contribuiu para o desempenho positivo do índice, com o IFNC (Índice Financeiro) encerrando em alta de 2,28%. Em linha com o bom desempenho das commodities, o CMDB11, ETF do BTG Pactual que segue uma cesta de ações do setor, subiu 2,55%.
Apenas cinco ações do Ibovespa fecharam em queda no dia: TIM (TIMS3), Telefônica Vivo (VIVT3), Yduqs (YDUQ3), Natura (NATU3) e Engie (EGIE3).

Wall Street fecha misto com petróleo disparando

No exterior, os índices de Wall Street fecharam sem direção única, em meio à disparada dos preços do petróleo pelo quarto dia consecutivo com a continuação das hostilidades entre EUA e Irã no Oriente Médio. 
O Dow Jones caiu 0,01%, aos 52.218,58 pontos. O S&P 500 recuou 0,14%, aos 7.498,96 pontos. O Nasdaq perdeu 0,57%, aos 25.690,90 pontos.
Na Europa, os índices fecharam em alta com balanços corporativos e à espera de nova decisão de política monetária do BCE (Banco Central Europeu). O Stoxx 600 avançou 0,58%, aos 646,93 pontos. 
📊 Na Ásia, o tom foi negativo. O Nikkei japonês caiu 0,18%, aos 66.115,60 pontos, e o Hang Seng de Hong Kong perdeu 0,95%, aos 24.892,66 pontos.

Maiores altas

  • WEGE3: +10,05% | R$ 46,74
  • CSNA3: +6,32% | R$ 5,38
  • BRKM5: +6,30% | R$ 6,07
  • MBRF3: +6,09% | R$ 16,03
  • B3SA3: +4,81% | R$ 15,90

Maiores baixas

  • TIMS3: -2,43% | R$ 22,12
  • VIVT3: -1,17% | R$ 35,38
  • YDUQ3: -0,77% | R$ 7,77
  • NATU3: -0,34% | R$ 8,68
  • EGIE3: -0,13% | R$ 30,30