Cosan (CSAN3) vai sair da Raízen e deixar de existir como holding em até 5 anos

Com a dissolução, os acionistas da Cosan terão participação direta nas investidas, como Rumo e Compass Gás e Energia.

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Publicado em 15/05/2026 às 15:47h Publicado em 15/05/2026 às 15:47h por Matheus Silva
A declaração foi feita durante conferência com analistas (Imagem: Divulgação/Cosan)
A declaração foi feita durante conferência com analistas (Imagem: Divulgação/Cosan)
🚨 O presidente da Cosan (CSAN3), Marcelo Martins, afirmou nesta sexta-feira (15) que a holding deverá ser dissolvida em um prazo de três a cinco anos, com o processo podendo ter início já em 2027. 
A declaração foi feita durante conferência com analistas para comentar os resultados trimestrais da companhia. Com a dissolução, os acionistas da Cosan passariam a deter participações diretas nas empresas investidas, como Rumo (RAIL3) e Compass Gás e Energia (PASS3).
"A premissa básica de todos nós aqui é que, com o objetivo de reduzir a alavancagem da empresa, obviamente não faz o menor sentido que a Cosan continue sendo um veículo de investimento de portfólio", afirmou Martins. 
"Então, neste horizonte de três a cinco anos, é bastante razoável dizer que a Cosan deixará de existir nesse período", acrescentou.

Cosan não acompanha Shell no aporte e será diluída na Raízen

Martins confirmou que a Cosan não acompanhará a Shell, sócia na joint venture Raízen (RAIZ4), no aporte de capital na produtora de açúcar e etanol. 
Com a conversão de parte da dívida da Raízen em ações, somada ao aporte exclusivo da Shell, a participação da Cosan na companhia sofrerá diluição relevante.
"Significa basicamente que, considerando o tamanho da conversão e a contribuição de capital do nosso sócio, a Shell, isso vai resultar em diluição substancial da participação da Cosan" na Raízen, disse o executivo. 
"A gente ainda não sabe o tamanho da conversão, algumas questões importantes estão sendo discutidas", acrescentou, citando também o "preço da conversão" como ponto em aberto.
Com a fatia reduzida ao final do processo, a Raízen deixará de ser um "investimento relevante" para a Cosan. 
"A nossa participação na Raízen não deve ser expressiva", disse Martins, acrescentando que "não é intenção da Cosan se manter em acordo de acionistas com a Shell", firmado há cerca de 15 anos.

Venda da participação na Raízen é esperada

Martins sinalizou que a Cosan deverá vender sua fatia na Raízen, ainda sem horizonte ou tamanho definidos. 
"Isso posto, o que se pode esperar é que a gente tenha uma participação que pode ser sim vendida em horizonte que a gente vai definir ainda", disse. 
Com uma participação minoritária, "vá buscar liquidez em algum momento", explicou o CEO ao falar sobre a venda das ações na companhia de açúcar e etanol. A empresa também deixará de fazer parte do acordo de acionistas firmado com a Shell desde o início da joint venture.

Dissolução a partir de 2027

O processo de dissolução da holding, já acordado com novos e atuais acionistas, deve acontecer "tão logo quanto factível", segundo Martins. 
O primeiro passo é a redução do endividamento. A dívida líquida expandida fechou o primeiro trimestre em R$ 11,5 bilhões, queda de 34% na comparação anual. O executivo sinalizou que ainda neste ano a Cosan vai demonstrar redução "substancial" do endividamento, com um saldo "residual" a ser eliminado em 2027.
"E é justo assumir que vamos começar esse processo de dissolução da holding já a partir do ano que vem", disse Martins. Ao final do processo, os acionistas atuais da Cosan passariam a se tornar acionistas diretos das empresas investidas. 
"Ato contínuo, provavelmente fazer distribuição direta das participações para os acionistas de Cosan", afirmou o CEO, ressaltando que isso não será feito "a qualquer custo".
📊 O crescimento dos negócios será responsabilidade exclusiva das empresas do grupo. "Então, neste horizonte de três a cinco anos, é bastante razoável dizer que a Cosan deixará de existir nesse período", concluiu Martins.