B3 (B3SA3) vê janela de IPOs se reabrindo com mais de 50 empresas em preparação

A companhia vê a janela de IPOs se reabrindo com mais de 50 empresas, lideradas por agro e infraestrutura, após quase 5 anos de jejum.

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Publicado em 11/05/2026 às 12:45h Publicado em 11/05/2026 às 12:45h por Matheus Silva
As declarações foram feitas durante a cerimônia de estreia das ações da Compass na B3 (Imagem: Shutterstock)
As declarações foram feitas durante a cerimônia de estreia das ações da Compass na B3 (Imagem: Shutterstock)
🔔 A B3 (B3SA3) avalia que o mercado brasileiro de capitais entra em um novo ciclo de retomada, com sinais de reabertura da janela para IPOs (Ofertas Iniciais de Ações) após anos de atividade praticamente paralisada na bolsa. 
As declarações foram feitas nesta segunda-feira (11), durante a cerimônia de estreia das ações da Compass (PASS3) na B3. A listagem da companhia de gás natural do grupo Cosan (CSAN3) é vista pelo mercado como marco simbólico das aberturas de capital no Brasil após um jejum de quase cinco anos.
"A gente acredita sim que esse movimento é um movimento de reabertura de janela. Na medida em que os juros começam a cair, o mercado de capitais brasileiro se torna bastante atrativo, não só para os investidores locais, mas também para os investidores estrangeiros", afirmou Viviane Basso, vice-presidente de operações da B3.

Mais de 50 empresas em preparação

Leonardo Resende, superintendente de empresas e mercado de capitais da B3, confirmou que o pipeline atual já é considerado robusto. Segundo ele, há "pouco mais de 50 empresas" em preparação para listar ações. 
Parte delas já possui registro de companhia aberta na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), etapa que indica avanço em processos de governança, transparência, auditoria e estruturação para acessar o mercado.
"Tem várias empresas que já estão nessa jornada e que a gente acredita sim que estão próximas de tocar a campainha aqui com a gente", disse Viviane.

Juros elevados travaram IPOs; mudança de ciclo pode destravá-los

Nos últimos anos, o ambiente de juros elevados reduziu drasticamente o apetite por renda variável. Com retornos atrativos na renda fixa, investidores migraram para títulos públicos e crédito privado, reduzindo a liquidez e a demanda por novas ações. 
Empresas que planejavam abrir capital adiaram operações diante da combinação de valuation deprimido, menor interesse dos investidores e volatilidade macroeconômica mais elevada.
Agora, a B3 avalia que esse ciclo começa a mudar. A expectativa de queda da Selic, o retorno gradual do investidor estrangeiro e o crescimento contínuo da participação do varejo na bolsa são apontados como vetores que podem destravar novas operações nos próximos trimestres.

Agro e infraestrutura lideram o pipeline de potenciais listagens

Segundo os executivos da B3, setores ligados à infraestrutura e ao agronegócio aparecem entre os mais ativos na nova leva de potenciais ofertas. 
"A própria Compass é um exemplo de setor que utiliza bastante financiamento e participa de processos de leilão. Agronegócio também é um setor bastante presente", afirmou Resende. 
Na avaliação da bolsa, companhias desses segmentos tendem a se beneficiar mais rapidamente de uma melhora nas condições financeiras por dependerem intensamente de capital para expansão e novos projetos.
A B3 destacou que o mercado brasileiro conta hoje com uma base mais diversificada de investidores do que em ciclos anteriores, combinando pessoa física, institucionais locais e estrangeiros. 
"Você acessa investidores institucionais locais, varejo local e investidores internacionais do mundo inteiro. Isso traz bastante robustez e estabilidade para a trajetória da companhia dentro do mercado de capitais", disse Viviane.

B3 disputa listagens com EUA e cita retorno da Vittia como referência

A bolsa também abordou a concorrência com mercados internacionais, especialmente os EUA, que nos últimos anos atraíram companhias brasileiras de tecnologia e fintechs em busca de valuations maiores e maior liquidez. A B3 afirma que vem ampliando sua competitividade com novos produtos e estruturas de listagem. 
"A gente vai sempre apresentar a nossa proposta em comparação de custos e regulação", disse Resende.
Os executivos citaram o caso da Vittia como exemplo de companhia que listou no exterior e retornou ao mercado brasileiro, reforçando a percepção de que a bolsa local oferece maior proximidade com investidores, clientes e com a narrativa da própria empresa. 
📈 "É uma conexão muito mais forte com a cultura da companhia, com a história da companhia", afirmou Viviane.