Após cinco anos sem IPO tradicional, Compass traz respiro para B3

Empresa ligada à Cosan movimenta bilhões e reacende expectativas do mercado, que pode receber novos tickers.

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Publicado em 11/05/2026 às 13:58h Publicado em 11/05/2026 às 13:58h por Wesley Santana
B3 é responsável pela operação da bolsa de valores do Brasil (Imagem: Shutterstuck)
B3 é responsável pela operação da bolsa de valores do Brasil (Imagem: Shutterstuck)

O tempo passou rápido, mas a última vez que a bolsa brasileira tinha sido palco de uma abertura de capital tradicional foi em 2021, quando a Vittia (VITT3) chegou ao balcão. Nesta segunda-feira (11), porém, o jejum terminou, com a entrada da Compass (PASS3) na lista de possibilidades dos investidores.

A empresa subsidiária da Cosan chega com um valor de mercado de R$ 20 bilhões, movimentando cerca de R$ 3 bilhões na sua estreia. Durante os primeiros minutos do pregão, as ações operaram com baixa de até 0,7%, conforme mostram dados da B3.

No intervalo entre 2021 e 2026, muita coisa mudou na bolsa de valores, a começar pelo modelo em que as empresas passaram a listar suas ações. Até surgiram outras companhias no balcão, mas todas elas foram por meio do chamado IPO reverso, em que uma companhia de fora adquire os papéis de uma listada e toma seu lugar na B3.

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Neste modelo, ao menos cinco companhias passaram a fazer parte das negociações: OranjeBTC, Fictor Alimentos, Reag Investimentos e, mais recentemente, a BradSaúde foram os destaques deste modelo. E a lista da B3 ainda conta com dezenas de nomes que têm capacidade para fazer um IPO reverso nos próximos meses.

Isso não quer dizer que as empresas brasileiras não tiveram sucesso em suas operações, pelo contrário. Em dezembro de 2021, o Nubank abriu seu capital na Bolsa de Nova York, por exemplo.

Já no começo deste ano de 2026, foi a vez do PicPay e da Agibank, que também optaram pelo mercado externo. As empresas conseguiram levantar mais de US$ 750 milhões juntas, com o apetite dos investidores nacionais e estrangeiros.

Mas estes últimos cinco anos não foram negativos para a bolsa brasileira, que registra recordes históricos. O Ibovespa (IBOV) viu sua pontuação valorizar quase 60%, chegando ao patamar de quase 199 mil pontos.

E a situação se dá mesmo em um cenário de alta taxa de juros, em que os investidores preferem mais a renda fixa do que a variável. Atualmente, a Selic opera em 14,5% ao ano, um dos patamares mais altos da última década.

Todo esse cenário, porém, deixa a B3 animada com os próximos capítulos do mercado de capitais no Brasil. A operadora da bolsa diz que há, pelo menos, 50 empresas esperando para oferecer capital social aos investidores, embora não haja uma opinião clara sobre os números para 2026.

"É um ano com bastante volatilidade, mas a gente acredita que este movimento é um movimento de reabertura de janela. Tem várias empresas que já estão com registro na CVM e que, portanto, estão bastante próximas do próximo passo, que é a abertura de capital na bolsa do Brasil", diz Viviane Basso, vice-presidente de operações da B3, em entrevista ao Valor.