O mercado de ações perdeu fôlego no Brasil nas últimas semanas, em meio à persistência da guerra no Oriente Médio e a disputa eleitoral brasileira.
📉 Com isso, o
Ibovespa foi se distanciando da tão sonhada marca dos 200 mil pontos e algumas
ações brasileiras entraram no ritmo de correção, acumulando quedas históricas.
O Ibovespa cai mais de 11% desde o pico dos 198.657 pontos, registrado no pregão de 14 de abril. O tombo, porém, é até pequeno se comparado ao de muitas das ações listadas na B3.
De acordo com levantamento da Elos Ayta Consultoria, 23 ações caíram mais de 20% desde o último recorde do Ibovespa.
Ações domésticas puxam perdas
Ou seja, boa parte das perdas foi sofrida por ações mais sensíveis ao ciclo doméstico. Afinal, as perspectivas para a economia brasileira mudaram drasticamente nas últimas semanas.
Com a guerra no Oriente Médio pressionando os preços do
petróleo e dos fertilizantes, a
inflação voltou a subir e as apostas de cortes de juros diminuíram no Brasil.
Por isso, o mercado já projeta uma inflação superior a 5% em 2026 e acredita que a
Selic só vai cair até 13,25% neste ano, segundo o
Boletim Focus.
Resultado: as ações sensíveis aos juros, como as das
varejistas e
construtoras, passaram a enfrentar ventos adversos na Bolsa.
Small caps também sofrem
💲 As
small caps também vêm sofrendo na B3, dada a sua menor liquidez, segundo o levantamento da Elos Ayta Consultoria.
A lista das maiores baixas ainda conta com casos específicos, como o da
MBRF (MBRF3), que afundou na Bolsa depois que o fundo saudita
Salic reduziu a sua fatia na empresa, e o da
Cosan (CSAN3), que busca uma forma de reduzir sua dívida e sofreu um
prejuízo bilionário no primeiro trimestre de 2026.
"A correção recente foi ampla, mas especialmente severa em small caps e setores mais cíclicos, indicando aumento relevante da aversão a risco na bolsa brasileira", afirmou o CEO da Elos Ayta Consultoria, Einar Rivero.
Segundo ele, esse movimento mostra que o investidor passou a reduzir exposição em ativos mais dependentes da economia doméstica e de liquidez mais restrita, para concentrar posições em empresas consideradas mais defensivas ou de maior previsibilidade operacional.
Veja as 23 ações que caíram mais de 20% desde o pico do Ibovespa:
- Casas Bahia (BHIA3): -51,88%;
- Armac (ARML3): -40,35%;
- Quero-Quero (LJQQ3): -36,61%;
- Plano & Plano (PLPL3): -32,39%;
- Recrusul (RCSL4): -29,73%;
- Movida (MOVI3): -29,37%;
- Magazine Luiza (MGLU3): -27,65%;
- Ferbasa (FESA4): -27,09%;
- Pague Menos (PGMN3): -25,38%;
- Lavvi (LAVV3): -25,31%;
- Cogna (COGN3): -24,94%;
- RD Saúde (RADL3): -24,80%;
- Cyrela (CYRE3): -24,11%;
- MBRF (MBRF3): -24,10%;
- MRV (MRVE3): -23,77%;
- Ecorodovias (ECOR3): -23,18%;
- Vamos (VAMO3): -22,80%;
- Cosan (CSAN3): -22,00%;
- Ânima (ANIM3): -21,84%;
- Gafisa (GFSA3): -21,84%;
- Camil (CAML3): -21,83%;
- GPS (GGPS3): -21,82%;
- Dimed (PNVL3): -21,36%.