Pela primeira vez em muito tempo, as taxas oferecidas pelo
Tesouro Direto ficaram abaixo de 14% ao ano, inclusive indo na contramão dos rendimentos altistas observados na renda fixa global nesta quarta-feira (2).
Desde a divulgação do
PIB do Brasil no 2T26, evidenciando desaceleração econômica, o mercado aqueceu as apostas de que o ciclo de cortes da
taxa Selic será mais agressivo do que se imaginava antes, com a própria XP estimando juros básicos em 13,25% ao ano no encerramento de 2026.
Como os títulos prefixados costumam ser mais sensíveis aos rumos da
taxa Selic, a classe é a primeira a colher lucros mais intensos com marcação a mercado, à medida que os
juros compostos oferecidos pelo governo brasileiro encolhem.
Só o
Tesouro Prefixado 2029 viu sua remuneração ceder de 14,20% ao ano no fechamento de agosto para os atuais 13,98% ao ano. Em compensação, o preço unitário subiu de R$ 735,89 para R$ 739,95, respectivamente.
Por outro lado, os juros compostos pagos pelos títulos do governo dos Estados Unidos (
treasury bonds), com vencimento em 10 anos, a referência global da
renda fixa, pagavam 4,81% ao ano, seu maior patamar desde novembro de 2023.
Na visão de John Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York, a disparada dos juros compostos pagos pela renda fixa americana é o produto de uma economia forte, não de um mercado disfuncional. "Precisamos esperar para ver se subiremos a taxa básica de juros", disse o banqueiro, em entrevista à CNBC.
O risco inflacionário desencadeado pelo fechamento do Estreito de Ormuz e encarecimento do
petróleo também pressiona títulos soberanos em demais países desenvolvidos. Os
títulos japoneses com vencimento em 10 anos seguem na máxima desde 1996, oferecendo 3,01% ao ano.