O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, prometeu agir diante do "momento de especial gravidade" deflagrado pelo escândalo do
Banco Master.
"Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição", disse Fachin nesta quarta-feira (2).
O presidente do STF não fez uma menção específica ao caso Master, mas disse que "os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional".
"Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza", afirmou.
⚖️ Segundo Fachin, a elevada autoridade do cargo de ministro do STF "não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal".
O presidente da Suprema Corte prometeu, então, analisar os fatos e a atuação institucional adequada a esse cenário para tomar uma decisão sobre o assunto, o que pode levar a uma investigação sobre a ligação entre Moraes e o Master.
"Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias", afirmou.
As mensagens de Vorcaro a Moraes
📲 Investigações da PF (Polícia Federal) revelaram uma intensa troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
As mensagens sugerem que os dois discutiram a possibilidade de uma operação policial sobre o Master nos dias que antecederam a prisão do banqueiro, em novembro do ano passado. O dono do Master ainda disse ter uma "dívida de vida" com o ministro do STF e agradeceu por "tudo".
Antes disso, Moraes já teria feito ajustes em um contrato milionário mantido entre o Master e o escritório de advocacia da sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Já Vorcaro afirmou que o pagamento desse contrato era "o mais importante" do banco.
De acordo com a investigação, Moraes e Vorcaro também tiveram diversos encontros presenciais entre 2024 e 2025.
Investigação em análise
O sigilo do relatório da PF foi retirado pelo ministro André Mendonça, que é relator do caso Master no STF e agora avalia incluir Moraes como investigado no processo.
A investigação, porém, exige a autorização do próprio STF, o que explica a declaração de Fachin nesta quarta-feira (2).
Pouco depois disso, ainda veio à tona a informação de que Mendonça também se reuniu com Vorcaro no início de 2025, para discutir um processo sobre precatórios que estava em julgamento no STF e interessava ao Master.