BRB (BSLI4) deixa pregão regular da B3 em meio à crise do Master

As ações do banco agora só podem ser negociadas sob o regime de leilão na Bolsa.

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Publicado em 02/09/2026 às 13:44h Publicado em 02/09/2026 às 13:44h por Marina Barbosa
BRB foi punido pela B3 devido à não apresentação dos balanços trimestrais (Imagem: Shutterstock)
BRB foi punido pela B3 devido à não apresentação dos balanços trimestrais (Imagem: Shutterstock)
As ações do BRB (BSLI4) foram excluídas do pregão regular da B3, em meio à crise do Banco Master.
Isso significa que os papeis do banco agora só são negociados por meio de leilões, com o fechamento dos negócios ocorrendo apenas no final do pregão.
A chamada negociação não contínua foi imposta pela B3 na última segunda-feira (31), devido ao atraso na apresentação de informações periódicas.

Balanços em atraso

🏦 O BRB não apresenta resultados financeiros há mais de um ano: o último balanço foi o do segundo trimestre de 2025. 
A publicação dos balanços trimestrais foi suspensa após a revelação de que a instituição participou das fraudes capitaneadas pelo Banco Master.
De acordo com as investigações da PF (Polícia Federal), o BRB teria injetado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas do Master, além de ter tentado comprar a instituição de Daniel Vorcaro em 2025. 
O BRB acabou com um rombo bilionário nesse esquema. Por isso, tenta reorganizar suas contas antes de apresentar o balanço de 2025.
O socorro financeiro é negociado pelo governo do Distrito Federal junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e à União e pode chegar a R$ 6,6 bilhões, mas está travado há meses.
⚠️ A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse no último dia 10 de agosto que o banco não pode divulgar seus resultados antes de receber esse empréstimo, para não correr o risco de ser liquidado, como já aconteceu com outras instituições envolvidas no caso Master.
"O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado", afirmou Celina Leão, após debate eleitoral promovido pela "Band".

CVM também pode agir

Apesar dos problemas enfrentados pelo BRB, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) fixa limites para que as empresas de capital aberto apresentem seus balanços.
O prazo é de até 45 dias após o encerramento de cada trimestre e de três meses no caso do balanço do quarto trimestre, que reúne as contas consolidadas do ano.
A CVM já havia alertado sobre o descumprimento desses prazos pelo BRB, ao incluir o banco na lista de empresas consideradas inadimplentes devido ao atraso na publicação de balanços financeiros e documentos regulatórios.
Chefe do mercado de capitais brasileiro, a CVM pode suspender o registro de emissor aberto das empresas que não cumprem essa obrigação por um período superior a 12 meses. 

Ações voltarão ao pregão da B3?

De acordo com a B3, as ações do BRB podem voltar a ser negociadas de forma contínua, desde que o banco cumpra a obrigação de entregar todas as suas informações periódicas.
Atualmente, o BRB mantém ações ordinárias e preferenciais em negociação na Bolsa, sob os tickers BSLI3 e BSLI4, respectivamente.
Os papeis caem mais de 70% no acumulado dos últimos 12 meses, devido aos desdobramentos do caso Master. Ainda assim, o BRB avalia levantar recursos por meio da emissão de novas ações para ajudar na sua reestruturação financeira.