📈 O
Banco do Brasil (BBAS3), que chegou a se aproximar das mínimas de 2023, ganhou força nas últimas sessões e acumula alta de 16% desde 18 de agosto.
Na sessão desta segunda-feira (31), o papel fechou a R$ 20,74, alta de 2,83%, em meio à recuperação mais ampla do
Ibovespa.
Parte do movimento tem explicação estrutural. Os bancos, por serem papéis de alta liquidez, costumam ser os preferidos dos investidores estrangeiros para se expor ao Brasil, justamente por serem fáceis de vender rapidamente diante de qualquer contratempo. Mas essa dinâmica sozinha não explica a magnitude da alta recente.
Renegociação do agro estão por trás da recuperação
Para Flavio Conte, analista da Levante, os programas do governo voltados ao resgate do produtor rural fizeram diferença direta no desempenho da ação.
Uma das principais medidas é a regulamentação da MP nº 1.376, que permite a renegociação de débitos acumulados entre 2019 e 2025, com prazos mais longos e carência de até dois anos para o início do pagamento do principal.
As condições variam conforme o porte do produtor: agricultores familiares do Pronaf podem renegociar até R$ 400 mil a juros de 6% ao ano; produtores do Pronamp, até R$ 2 milhões a 9% ao ano; e os demais produtores, até R$ 4 milhões a 12% ao ano.
"O programa da MP nº 1.376 deu uma acelerada para que os produtores pudessem entrar nos financiamentos do Plano Safra 26/27 e, em segundo lugar, o Desenrola Rural do Pronaf está andando bem", disse outra fonte ouvida pela reportagem.
Segundo o analista, a disparada da inadimplência no cartão de crédito do banco, que passou de 7% para 14% em apenas um trimestre, pode ser um dos próximos alvos a entrar no programa Desenrola, ampliando o alívio sobre a qualidade da carteira de crédito do BB.
XP aponta Itaú como preferido do setor
Apesar da recuperação recente, a
XP (XPBR31) pondera que o Banco do Brasil ainda está longe de conquistar a preferência dos investidores.
Segundo a casa, o sentimento em relação ao setor financeiro brasileiro segue cauteloso, com o
Itaú (ITUB4) mantendo-se como o banco preferido entre os incumbentes sob a ótica de qualidade, enquanto o BB concentra o maior nível de ceticismo do mercado.
O
Bradesco (BBDC4) ocupa posição intermediária, funcionando como uma tese de recuperação em meio a um ambiente macroeconômico mais desafiador.
📊 "Embora os investidores não esperem uma crise de crédito generalizada, há uma preocupação crescente de que um ambiente macroeconômico mais desafiador, o elevado endividamento das famílias e uma atividade econômica mais fraca possam resultar em crescimento mais lento da carteira de crédito, menor momentum de resultados e maior pressão sobre os índices de capital em direção a 2027", avalia a XP.