O Brasil sempre foi conhecido como o país da
renda fixa, mas, dessa vez, são os títulos do governo dos Estados Unidos, os treasury bonds, que estão atraindo os holofotes em 2026, atraindo até o interesse de investidores brasileiros, diante dos maiores
juros compostos lá na terra do Tio Sam desde 2004.
Para se ter uma ideia do momento ímpar da renda fixa em dólar, os rendimentos oferecidos pelos treasury bonds (com vencimento em 30 anos) bateram taxa de 5,46% ao ano, o maior patamar em mais de duas décadas. Tal título do governo americano costuma balizar os contratos de hipotecas e financiamentos de longo prazo.
Outro título de renda fixa americana que serve de referência global são os treasury bonds (com vencimento em 10 anos), cuja remuneração chegou a 5,16% ao ano também nesta quinta-feira (24), alcançando sua maior marca desde julho de 2007, período que antecedeu a crise financeira global do subprime.
Até mesmo os títulos de dívida do governo americano com vencimento no curto prazo sinalizavam o apetite dos investidores por juros compostos cada vez mais estratosféricos para continuar financiando o governo Trump. Os treasury bonds (com vencimento em 2 anos) remuneravam 4,90% ao ano, perto do pico visto em 2023.
Apesar de títulos soberanos em outros países desenvolvidos também renovarem máximas nesta semana (casos como Reino Unido, França, Alemanha e Japão), a situação dos títulos do governo dos EUA é agravada por uma combinação de fatores que vão desde as tensões geopolíticas até as
novas apostas do Federal Reserve sobre a taxa de juros.
“Os mercados já precificam quatro aumentos de juros nos EUA até o próximo ano; o Federal Reserve está sendo pressionado a adotar uma política monetária mais restritiva em um momento em que o risco de um erro nessa política está aumentando”, escreve a gestora americana Madison Investments, em nota.
Como investir na renda fixa em dólar?
Caso o investidor brasileiro tenha apetite a risco para aproveitar a janela histórica de juros compostos elevados para os padrões americanos, além de incluir a
dolarização do patrimônio, as corretoras internacionais, como Avenue e Nomad, já oferecem diversas opções.
Da mesma forma que é possível aqui no Brasil escolher diretamente os títulos públicos no
Tesouro Direto, os brasileiros também podem investir em treasury bonds, cujos valores mínimos de aporte giram em torno de US$ 1 mil.
Ao emprestar dinheiro diretamente ao governo dos EUA, o poupador define, no momento da compra, a taxa de remuneração e o prazo de vencimento. Diferente do Brasil, cujo carro-chefe é o Tesouro Selic, lá nos EUA, os títulos mais comuns são os Prefixados, que estão pagando taxas ao redor de 5% ao ano e mais a variação do dólar.
Popularmente, a maneira mais prática de se expor à renda fixa em dólar é mediante os
ETFs de renda fixa, que pagam muitas vezes
dividendos em dólar mensalmente. A seguir, o
Investidor10 apresenta algumas alternativas e quais tipos de títulos costumam compor a carteira: