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💲 Os três maiores bancos privados de varejo do país fecharam o terceiro trimestre com lucro combinado de R$ 22,61 bilhões, segundo dados compilados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) registraram avanço de 2,4% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 0,6% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O número veio praticamente em linha com a expectativa do mercado, que projetava ganho agregado de R$ 22,6 bilhões, conforme a média das estimativas reunidas pelo Prévias Broadcast.
O tema central dos resultados foi o mesmo em todas as instituições, a pressão sobre a renda das famílias e sobre o caixa das empresas, agravada pelo ritmo lento de alívio dos juros.
Com os orçamentos comprometidos, sobra menos espaço para manter os compromissos de crédito em dia, movimento que eleva a inadimplência no sistema bancário. O efeito apareceu nos três balanços, mas em intensidades bem diferentes.
O Santander enfrenta a pressão mais forte do trio, com dificuldades nas carteiras de agronegócio e de baixa renda.
O Bradesco deu novos sinais de evolução na recuperação estrutural que conduz há dois anos, embora o ambiente macroeconômico restritivo tenha retardado a melhora da rentabilidade e provocado um revés na inadimplência.
Já o Itaú se manteve como o mais resiliente, resultado de uma gestão de risco disciplinada que, mesmo antes da piora do ciclo, já privilegiava linhas de crédito mais seguras.
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As perspectivas para os próximos trimestres devem ficar ainda mais desafiadoras. A reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou as incertezas, já que o petista tem dado poucos sinais de que promoverá um ajuste fiscal relevante, condição vista como necessária para que o Banco Central acelere a redução da Selic, hoje em 13,75% ao ano.
Analistas do Citi avaliam que esse ambiente muda o perfil de quem se destaca no setor. “O contexto pós-eleitoral reforça um cenário de taxas de juros elevadas por um período prolongado, aumentando a atratividade de negócios bancários com lucros previsíveis, forte retorno de capital e geração de caixa no curto prazo”, afirmam.
Primeiro a divulgar os números, o Bradesco registrou o 11º trimestre consecutivo de crescimento sequencial do lucro líquido, que chegou a R$ 7,1 bilhões, impulsionado pela resiliência das receitas com serviços e pelo controle de custos.
O retorno sobre o patrimônio, porém, caiu para 15,6%. O recuo tem relação com o aumento de capital de R$ 10 bilhões realizado pelo banco. Sem esse efeito, o indicador teria ficado praticamente estável, em 16,1%.
Ao apresentar os resultados, o presidente da instituição, Marcelo Noronha, reconheceu a complexidade do momento.
“Com comprometimento da renda das famílias maior e endividamento das empresas, temos que ter mais cautela e andar mais devagar”, disse.
O Santander foi o mais penalizado. O lucro líquido despencou 28% na comparação anual, para R$ 2,9 bilhões, e o retorno sobre o patrimônio caiu 5,6 pontos percentuais, para 11,9%, bem distante da meta de 20% até 2028 estabelecida pela matriz espanhola.
Em Madri, as ações da controladora recuavam 5%, em parte influenciadas pelo desempenho brasileiro.
O presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, admitiu a frustração em teleconferência com analistas.
“São números obviamente abaixo do patamar de rentabilidade que buscamos”, disse. Ele ponderou, porém, que é preciso considerar “o cenário macroeconômico que estamos passando e o processo de rebalanceamento do banco”.
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O Itaú teve o trimestre mais tranquilo do grupo, com lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e retorno sobre o patrimônio de 23,6%, de longe o maior do setor.
O banco manteve a disciplina na gestão de crédito e de custos, mas apresentou desempenho fraco na geração de receitas, sobretudo na área de banco de capitais.
💰 “Os resultados vieram muito bem em termos absolutos e melhor ainda em termos relativos, quando comparados com os desempenhos de outros nomes no mercado”, afirmou o diretor de Estratégia Corporativa, Relações com Investidores e M&A Proprietário do banco, Renato Lulia, em entrevista à Broadcast.
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