Selic cai para 14,25% ou fica em 14,50%? Mercado projeta impactos na renda fixa

O Copom se reúne nesta terça (16) e quarta-feira (17) para decidir o rumo da taxa Selic.

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Publicado em 16/06/2026 às 08:28h Publicado em 16/06/2026 às 08:28h por Marina Barbosa
Títulos prefixados devem ser os mais impactos pela decisão do Copom, segundo analistas (Imagem: Shutterstock)
Títulos prefixados devem ser os mais impactos pela decisão do Copom, segundo analistas (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) volta a se reunir nesta terça-feira (16) para decidir se corta a taxa Selic para 14,25% ou deixa os juros parados em 14,50% ao ano.
🏦 A decisão será anunciada na quarta-feira (17) após o fechamento do mercado e promete mexer com o retorno dos investimentos de renda fixa.
Na avaliação do mercado, a renda fixa seguirá oferecendo retornos atrativos, mesmo diante de um novo corte dos juros -possibilidade que voltou a ganhar força no mercado nos últimos dias.
Porém, o tom do comunicado do Copom pode afetar as taxas futuras de juros, criando oportunidades ou desafios extras para os investidores.

Pós-fixados

Os títulos pós-fixados, cujos rendimentos acompanham os movimentos da Selic e do CDI, aparecem como a principal aposta dos analistas no cenário atual.
"Mesmo com eventual corte, a taxa nominal segue em patamar elevado, o que mantém CDI, fundos DI e instrumentos indexados à Selic bastante competitivos, especialmente para investidores com perfil mais conservador ou que desejem preservar liquidez", afirmou o CIO da 18ib Capital, Aloísio Teles.
O analista e gestor de renda fixa da SWM, Gustavo Saula, concorda que a alocação em CDI segue vantajosa no curto prazo. E explica: "Mesmo que o Banco Central corte juros, o mercado precifica hoje uma Selic terminal significativamente mais alta do que há algumas semanas".
De acordo com o Boletim Focus, o mercado já vê juros de 13,75% ao final de 2026 e também elevou as projeções para a Selic de longo prazo. A expectativa é de que a taxa fique em 12,00% em 2027 e ainda esteja marcando 10,25% em 2028, chegando aos 10,00% apenas em 2029.

Crédito privado

A alta nas projeções para a Selic, no entanto, também cria uma pressão extra para as empresas que emitem títulos de renda fixa como debêntures, CRIs e CRAs.
"Emissores com perfil de dívida mais curta (vencimento em 2026-2027) terão que refinanciar num ambiente mais caro do que o precificado já seis meses", explicou a especialista em renda fixa da Valor Investimentos, Viviane Las Casas.

Indexados à inflação

O mercado também elevou as projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) nas últimas semanas, passando a projetar uma inflação superior a 5% em 2026 e a 4% em 2027.
Diante desse cenário, os títulos indexados à inflação também despontam como uma alternativa interessante no momento, de acordo com os analistas. Porém, neste caso, é preciso ter atenção a alguns detalhes.
Viviane Las Casas explicou que o acordo entre Estados Unidos e Irã tira pressão da inflação implícita no curto prazo. Logo, favorece os títulos de vencimento intermediário, como o Tesouro IPCA+ 2032.
Já os títulos com vencimentos mais longos podem até oferecer retornos atrativos, mas também carregam maior sensibilidade a risco fiscal, prêmio de prazo e mudanças na percepção sobre a trajetória da política monetária, segundo Aloísio Teles.

Prefixados

No caso dos títulos prefixados, em que a rentabilidade é definida no momento da compra, a expectativa é de que as taxas apresentem maior volatilidade na esteira da decisão do Copom.
"Caso o comunicado venha mais construtivo, os vértices intermediários da curva podem se beneficiar, com fechamento de taxas. Por outro lado, se o Copom reforçar desconforto com expectativas, inflação de serviços ou risco fiscal, essa mesma parte da curva pode sofrer abertura", explicou Teles.

O que esperar do Copom?

A expectativa da maior parte dos analistas é de que o Copom faça um novo corte de 0,25 ponto percentual dos juros nesta quarta-feira (16), levando a Selic dos atuais 14,50% para 14,25%.
Porém, nem todos estão convencidos dessa hipótese. Por isso, a possibilidade de que o Copom interrompa o ciclo de corte de juros e mantenha a Selic nos atuais 14,50% não foi totalmente descartada por alguns investidores. Veja aqui o que os analistas esperam do Copom.