Santander (SANB11): Lucro tomba 17,6% e soma R$ 3 bi no 2T26

O ROE também caiu e ficou em 12,5%, ainda mais distante da meta de 20% do banco.

Author
Publicado em 29/07/2026 às 09:02h Publicado em 29/07/2026 às 09:02h por Marina Barbosa
Santander entregou resultados abaixo do esperado pelo mercado no 2T26 (Imagem: Shutterstock)
Santander entregou resultados abaixo do esperado pelo mercado no 2T26 (Imagem: Shutterstock)
O Santander (SANB11) abriu a temporada de balanços dos bancos brasileiros nesta quarta-feira (29), entregando um resultado abaixo do esperado pelo mercado.
📉 O banco teve um lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,0 bilhões no segundo trimestre de 2026, o que representa uma contração de 20,4% no trimestre e de 17,6% na comparação anual.
Já o ROE (retorno sobre o patrimônio) marcou 12,5%, recuando mais de três pontos percentuais frente aos 16% registrados no trimestre anterior e aos 16,4% do mesmo período do ano passado.
Com isso, o indicador ficou mais distante da meta de 20% traçada pela instituição e ainda passou a rodar abaixo da Selic, o que significa que o banco está gerando um retorno inferior ao custo de capital.
Os resultados também ficaram abaixo do esperado pelo mercado, embora os analistas já esperassem um trimestre desafiador, sobretudo depois que o controlador espanhol do Santander apresentou seus resultados. 
De acordo com a "Bloomberg", a expectativa do mercado era de um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões e de um ROE de 14,5%.

O que pesou no resultado?

O segundo trimestre de 2026 foi marcado por uma nova alta das despesas de provisão para devedores duvidosos.
💰 O Santander aplicou R$ 7,6 bilhões em provisões no período. Isto é, 20,6% a mais que no trimestre anterior e 11,5% mais que no mesmo período do ano passado.
A alta reflete o cenário econômico desafiador, mas também mudanças nas regras de provisões e a tentativa do banco de se blindar contra alguns casos específicos de possível calote.
Nas palavras do Santander, "a evolução reflete alguns efeitos pontuais de reforços de provisão de casos do atacado e revisão dos critérios de baixa a prejuízo, além de um ambiente de crédito ainda desafiador, com impactos concentrados em carteiras específicas". 

Inadimplência 

Apesar da precaução, a taxa de inadimplência deu sinais de estabilização entre os clientes do Santander no segundo trimestre de 2026.
O índice de inadimplência de 15 a 90 dias marcou 3,3%, recuando levemente frente aos 3,4% do trimestre anterior e ficando no mesmo patamar observado um ano atrás.
Já a inadimplência acima de 90 dias foi de 3,3%, ficando estável no trimestre, mas ainda à frente do patamar observado um ano atrás (2,6%).
De acordo com o Santander, o resultado reflete a maior seletividade na originação de crédito e a gestão ativa dos portfólios, além dos novos critérios de recuperabilidade de carteira de varejo.
"Seguimos atuando com prudência e disciplina na gestão de riscos e construindo uma carteira mais resiliente aos ciclos macroeconômicos", afirmou.

Carteira de crédito

Com os juros elevados e o alto endividamento das famílias pressionando a inadimplência, o Santander Brasil tem adotado uma postura mais cautelosa na oferta de crédito.
Ainda assim, a carteira de crédito ampliada do banco avançou e chegou a R$ 714,7 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 1,3% no trimestre e de 5,8% no ano.
O crescimento foi puxado pelas atividades financeiras e pelo crédito às empresas, mas também pelos cartões de crédito e pelo financiamento imobiliário da pessoa física.
Já as carteiras de crédito pessoal e consignado recuaram, devido à estratégia do banco de reduzir a exposição a esses segmentos.

Receita

O Santander também tem tentado diversificar suas receitas para enfrentar esse cenário mais desafiador no mercado de crédito.
Com isso, obteve uma receita total de R$ 20,7 bilhões no segundo trimestre de 2026, o que representa um crescimento de 0,4% no trimestre, mas uma queda de 2,7% no ano.
Por outro lado, a margem financeira caiu em ambas as bases de comparação, pressionada pelos juros altos e pela mudança na composição da carteira. 
Já a receita com comissões recuou 1,9% no trimestre e cresceu 2,5% no ano -um resultado que, de acordo com o Santander, mostra o foco na diversificação de receitas, mais balanceadas entre crédito e serviços.