S&P puxa a orelha da Azul (AZUL4) por risco elevado de calote

Entenda o porquê da companhia aérea brasileira correr o risco de não honrar os seus títulos de renda fixa

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Publicado em 20/05/2025 às 20:27h - Atualizado em 11/09/2025 às 16:03h Publicado em 20/05/2025 às 20:27h Atualizado em 11/09/2025 às 16:03h por Lucas Simões
Agência de classificação de risco destaca intensa queima de caixa da Azul em 2025 (Imagem: Shutterstock)
Agência de classificação de risco destaca intensa queima de caixa da Azul em 2025 (Imagem: Shutterstock)

🛬 O sinal de alerta para quem emprestou dinheiro para a Azul (AZUL4) por meio de seus títulos de renda fixa ficou ainda mais vermelho nesta terça-feira (20), à medida que a agência de classificação de risco Standard and Poor's (S&P) rebaixou a nota de crédito da companhia aérea de 'CCC+' para 'CCC-'.

A S&P justifica o seu temor para o elevado risco de calote que paira sobre a Azul devido à continuidade da queima de caixa da companhia, revelada nos resultados do primeiro trimestre do ano (1T25), considerando os altos custos com financiamentos, fora a imensa dificuldade em tomar mais dinheiro emprestado diante das duas últimas reestruturações de dívidas.

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"Rebaixamos nossa classificação de emissão das notas sêniores sem garantia da AZUL4 com vencimento em 2026 de 'CCC-' para 'CC'; a classificação de recuperação '6' permanece inalterada. Também cortamos nossa classificação em escala nacional de brBB+ para brCCC-", destaca o relatório da S&P.

Vale mencionar que notas sêniores são títulos de renda fixa que pagam modalidade de juros aos investidores que emprestam dinheiro a empresas, mas que têm precedência sobre outras dívidas no caso de a empresa declarar falência e ser forçada à liquidação.

Quando as notas sêniores não contam com garantia, como os títulos da Azul mencionados pela agência de classificação de risco, se a companhia aérea for forçada à liquidação, os detentores de notas seniores sem garantia podem não recuperar seu principal em dinheiro emprestado, além dos juros prometidos integralmente.

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Por que a Azul não decola como antes?

Para a S&P, a perspectiva negativa sobre a nota de crédito da Azul reflete a maior probabilidade de incumprimento nos próximos seis a 12 meses. O caixa e os investimentos líquidos da Azul somaram aproximadamente R$ 655 milhões no 1T25.

Embora a empresa tenha captado com sucesso R$ 600 milhões em financiamento adicional de detentores de títulos, este é um financiamento-ponte de curto prazo com vencimento de 120 dias.

Ainda que os vencimentos da dívida da companhia aérea não sejam particularmente substanciais — totalizando cerca de R$ 730 milhões nos próximos 12 meses — as obrigações da empresa relacionadas a pagamentos de arrendamento operacional de aeronaves, despesas com juros, capital de giro e despesas de capital (capex) são consideráveis.

💸 No caso, a S&P estima que as necessidades de dinheiro da Azul sejam, na verdade, de R$ 7,4 bilhões a R$ 7,8 bilhões no período mencionado.

Segundo dados do Investidor10, se você tivesse investido R$ 1 mil em AZUL4 há dois anos, hoje você teria R$ 78,10, já considerando o reinvestimento dos dividendos (apesar da companhia não ter pago nenhum provento aos acionistas no período).

A simulação também aponta que o Ibovespa (índice que traz o desempenho médio das ações brasileiras mais negociadas) teve retorno de R$ 1.265,50 nas mesmas condições.