Isso porque os investidores de
renda fixa que emprestaram recursos à companhia brasileira em
dólares, os chamados "bondholders" não estão lá muito satisfeitos com as condições que vêm sendo apresentadas pela produtora de açúcar e etanol nos bastidores.
Vale recordar que, apenas em fevereiro de 2025, a Raízen pegou emprestado US$ 1,75 bilhão com títulos de renda fixa global, sendo US$ 750 milhões só em green notes (títulos de dívidas ligados a iniciativas de sustentabilidade ambiental) com vencimento em 2054.
Na época, a empresa se comprometeu a remunerar o saldo devedor de US$ 1 bilhão, com vencimento em 2037, com cupom de 6,70% ao ano. Já os green notes com vencimento em 2054 prometiam cupom de quase 7% ao ano.
Para se ter uma ideia, os títulos do governo americano, com vencimento em 10 anos (
UTEN), pagam 4,55% ao ano, enquanto aqueles com vencimento em 30 anos (
UTHY) remuneram 5,06% ao ano. E olha que as taxas da renda fixa americana estão em patamares recordes, pré-crise financeira global de 2008, mas ainda pagam juros bem menores que a arriscada Raízen.
RAIZ4 na berlinda
Fontes em condição de anonimato e parte das negociações internas entre a Raízen e o bloco de credores acreditam que ainda é viável a recuperação extrajudicial avançar, especialmente com o apoio dos bancos e dos detentores de títulos de dívida da companhia aqui no Brasil.
Devido ao risco de calote da Raízen no mercado de crédito privado, os
CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) emitidos pela empresa, sob o código de negociação CRA02300JR7, apresentam taxas indicativas em maio de 2026 muito superiores às condições de emissão, cuja remuneração era de 12,28% ao ano.
Atualmente, os mesmos
CRAs da Raízen nas prateleiras das corretoras de valores (o mercado secundário de renda fixa) chegam a apresentar taxas indicativas próximas de 20% ao ano, consequentemente, destravando intensos prejuízos com marcação a mercado.