As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reacenderam as preocupações dos investidores e colocaram em evidência quais empresas da B3 podem sentir os maiores impactos, ou até encontrar oportunidades, com a medida.
Com o mercado avaliando os efeitos sobre receitas, margens e exportações, companhias ligadas à indústria, siderurgia, papel e celulose e aeronáutica aparecem entre as mais expostas, enquanto empresas voltadas ao mercado doméstico tendem a ser vistas como opções mais defensivas.
Quem pode perder com as novas tarifas
Os impactos não serão uniformes entre as empresas listadas na B3. A
Embraer (EMBJ3) aparece entre as mais vulneráveis, com cerca de 46% da receita potencialmente exposta ao mercado norte-americano. Em seguida estão a
Tupy (TUPY3) e a
WEG (WEGE3), dizem especialistas.
As siderúrgicas também aparecem entre os setores de maior preocupação.
CSN (CSNA3), por exemplo, tende a acompanhar de perto os desdobramentos da medida, uma vez que os EUA responderam por quase metade das exportações brasileiras de aço e ferro em 2024. O segmento de papel e celulose também entra no radar devido à dependência das exportações para os Estados Unidos, caso de Suzano e
Klabin (KLBN11).
E quem pode ganhar
Apesar do ambiente mais desafiador para parte das exportadoras, algumas companhias podem ser favorecidas pela reorganização do comércio internacional. É o caso de
JBS (JBSS32) e
Marfrig (MRBF3), além da
Gerdau (GGBR4).
Iochpe-Maxion (MYPK3) também aparece entre as empresas que contam com estrutura produtiva em território americano.
E se o Brasil retaliar, quem pode ganhar?
Há ainda o cenário de uma eventual retaliação comercial por parte do Brasil. Caso o governo brasileiro decida elevar tarifas sobre insumos importados dos Estados Unidos, a
Braskem (BRKM5), por exemplo, pode ampliar sua participação no mercado doméstico de resinas plásticas,
Além disso, especialistas destacam que empresas focadas no mercado interno tendem a ganhar atratividade em momentos de maior volatilidade no comércio exterior. Entre elas estão
Bradesco (BBDC4),
Itaú Unibanco (ITUB4) e
Caixa Seguridade (CXSE3), vistas como alternativas mais defensivas por apresentarem menor exposição direta às exportações.