O que esperar da bolsa, dólar e juros com as novas tarifas de Trump?

Apesar da confirmação da nova tarifa, alguns produtos brasileiros ficarão de fora da medida.

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Publicado em 16/07/2026 às 14:47h Publicado em 16/07/2026 às 14:47h por Elanny Vlaxio
Os investidores trabalham atualmente com três cenários (Imagem: Shutterstock)
Os investidores trabalham atualmente com três cenários (Imagem: Shutterstock)
As novas tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros voltaram a colocar os investidores em alerta. 
Com a medida confirmada pelo governo norte-americano, o mercado agora tenta mensurar os efeitos sobre a bolsa brasileira, o dólar, os juros e a inflação, enquanto acompanha as negociações entre os dois países e uma possível resposta do Brasil. 

Setores exportadores devem sentir os primeiros impactos

Para Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, a decisão dos Estados Unidos não surpreendeu o governo brasileiro, já que as negociações entre os dois países vinham ocorrendo há algum tempo.
"O governo brasileiro não foi pego de surpresa." Segundo ele, "haverá sim uma taxa" sobre produtos brasileiros como etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e outros, enquanto os itens considerados estratégicos para o mercado americano ficaram de fora da lista.
Na avaliação de Gustavo Moreira, planejador financeiro e MBA em Finanças pela B7 Business School, os setores da B3 mais vulneráveis são aqueles cuja receita depende mais das exportações para os Estados Unidos.
"Os setores mais expostos são siderurgia, alumínio e papel e celulose", afirma. Segundo ele, "quanto maior essa dependência, maior a pressão sobre margem, receita e, consequentemente, sobre o valor das ações", já que essas empresas têm menos capacidade de redirecionar rapidamente suas vendas para outros mercados.

Lei da reciprocidade pode pressionar inflação e juros

Após a confirmação das tarifas, o governo brasileiro informou que poderá avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade. Para Bassani, entretanto, uma eventual retaliação exige cautela.
"O mais prudente nesse momento é cautela", diz o economista. Segundo ele, diversos produtos e insumos utilizados pelo Brasil são importados dos Estados Unidos, e uma tributação adicional poderia elevar os preços desses itens.
Na avaliação do especialista, esse movimento teria reflexos sobre a inflação, que já está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. O relatório divulgado nesta semana projeta inflação de 5,16% no fim do ano, acima do limite de 4,5%.
Bassani explica que o aumento dos custos de importação pode gerar um efeito em cadeia. Com produtos mais caros, a inflação medida pelo IPCA tende a subir, pressionando os juros futuros, mantendo a Selic em patamar elevado e reduzindo o ritmo da atividade econômica.
Gustavo Moreira também alerta para os riscos de uma escalada das tensões comerciais. "O principal risco desse caminho é a escalada", afirma. Segundo ele, uma resposta brasileira pode provocar novas retaliações dos EUA, deteriorando as relações comerciais e políticas entre os dois países.
O especialista lembra ainda que estimativas do próprio governo apontam que, caso as tarifas permaneçam em vigor, o impacto poderá reduzir em até 0,3 ponto percentual o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, com efeitos concentrados nos setores mais dependentes das exportações para o mercado americano.

Mercado acompanha negociações e trabalha com três cenários

Embora o anúncio tenha aumentado a cautela dos investidores, Bassani observa que a bolsa brasileira tem reagido mais aos indicadores econômicos domésticos do que propriamente ao tarifaço.
Segundo ele, o mercado segue atento principalmente ao comportamento da inflação. Na sua avaliação, dólar e juros futuros podem continuar pressionados enquanto persistirem as incertezas sobre os próximos passos das negociações entre Brasil e Estados Unidos.
O economista também destaca que a política tarifária faz parte da estratégia adotada por Donald Trump desde o início de seu novo mandato e que, neste momento, prevalece um ambiente de negociação entre os países. 
Além disso, observa que a CME, bolsa de Chicago, estima uma probabilidade de 47% de alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos, sem expectativa de cortes nos próximos meses, refletindo a cautela do Federal Reserve diante dos possíveis efeitos econômicos das tarifas.
Para Gustavo Moreira, os investidores trabalham atualmente com três cenários. O mais provável é a manutenção da tarifa de 25%, acompanhada de uma lista de exceções, o que produziria impactos negativos, mas administráveis, sobre o Ibovespa, o câmbio e a curva de juros.
O segundo cenário considera uma flexibilização ou adiamento da medida, hipótese que poderia favorecer os ativos brasileiros, impulsionar o real, reduzir os juros futuros e favorecer uma recuperação da bolsa.
Já o terceiro cenário é considerado o mais negativo. Nele, haveria uma escalada do conflito comercial, sem exceções relevantes, ampliando as pressões sobre os mercados e aumentando a incerteza para a economia brasileira.