Vale a pena comprar BB (BBAS3)? Citi desmonta tese da "ação mais barata da Bolsa"
Analistas do banco norte-americano colocaram o papel sob observação negativa, mantendo a indicação neutra e cortando o preço-alvo para R$ 18.
Nesta segunda-feira (18), a Comissão de Valores Mobiliários instaurou um processo contra a presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros. A autarquia apura “declarações excessivamente positivas” que poderiam induzir os investidores ao erro.
A ação tem como base uma reportagem publicada pelo Valor, na qual Tarciana comenta os resultados da companhia no segundo trimestre do ano passado. Naquela ocasião, a executiva destacou: “tenho um recado para o investidor: quem tem ações do BB, mantenha; quem não tem, compre”.
A entidade destaca que houve infração ao artigo 15 da Resolução da CVM. O trecho diz que “O emissor deve divulgar informações verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o investidor a erro”.
O vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, também entrou na mira da CVM. Na mesma matéria, ele afirmou que o “ciclo vai passar e vamos retornar ao patamar de rentabilidade que a gente tinha, então é um excelente momento de entrada [na ação do BB]”, pontuou.
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As declarações foram dadas em agosto do ano passado, depois do primeiro balanço que deixou o mercado com o pé atrás. Naqueles dias, as ações fecharam o pregão cotadas em R$ 20,65, mas já perderam cerca de 15% desde então.
Por meio de nota, o BB destacou que já respondeu a um ofício enviado pela CVM, que questionava essa e outras falas da presidente. O banco estatal destacou que divulga suas informações de forma clara, com o objetivo de não induzir o investidor a erro.
“No que se refere às manifestações da presidenta do BB, destaca-se que suas declarações consideraram o cenário macroeconômico e setorial vigente, com a clara mensagem de que o ano de 2025 é um ano de ajuste para a retomada da rentabilidade, sempre com a preocupação de empregar uma abordagem analítica sobre a performance do Banco, em conformidade com os princípios de transparência, clareza e consistência”, frisou.
Passado um ano desde esse episódio, o BB parece tentar entrar no trilho da recuperação. O banco divulgou seu balanço do 2T26 nesta semana, reportando números acima do esperado pelo mercado.
O lucro líquido, por exemplo, bateu a casa de R$ 3,9 bilhões, ante os R$ 3,7 bilhões previstos pelo consenso de analistas. Houve uma melhora também na margem financeira do banco, que avançou 12% em 12 meses, para R$ 27,5 bilhões.
O mercado esteve de olho no índice de inadimplência, que caiu 0,05 ponto percentual em relação a um ano antes. Os novos atrasos também recuaram de 1,77% para 1,37%, ainda de acordo com o documento divulgado pela instituição.
"Essa combinação reforça a leitura de que o pior pode ter passado, mas a recuperação não será rápida. O estoque elevado reflete a maturação de safras já problemáticas e a desaceleração do fluxo indica que a qualidade das novas concessões vem melhorando", diz Octaciano Neto, fundador da Zera, consultoria de financiamento privado para o agronegócio, em entrevista à Folha de SP.
Analistas do banco norte-americano colocaram o papel sob observação negativa, mantendo a indicação neutra e cortando o preço-alvo para R$ 18.
Investidores reagiram aos números preocupantes do Banco do Brasil no 2T26 relacionados à inadimplência.