"Índice do medo" da B3 bate recorde pelo 2º dia seguido às vésperas da eleição

O VIX Brasil fechou em 32,77 pontos nesta sexta-feira (2), segundo recorde seguido, mesmo com o Ibovespa no maior nível desde abril.

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Publicado em 02/10/2026 às 20:20h Publicado em 02/10/2026 às 20:20h por Matheus Silva
Acima de 30 pontos, o VIX Brasil sinaliza cenário de maior turbulência (Imagem: Shutterstock)
Acima de 30 pontos, o VIX Brasil sinaliza cenário de maior turbulência (Imagem: Shutterstock)
📊 A véspera do primeiro turno trouxe um retrato curioso do mercado brasileiro. Enquanto o Ibovespa avançava com força, o principal termômetro de percepção de risco da bolsa renovava sua máxima histórica pelo segundo pregão consecutivo. 
Nesta sexta-feira (2), o VIX Brasil, oficialmente chamado de S&P/B3 Ibovespa VIX, encerrou o dia em 32,77 pontos, a maior marca desde que o indicador foi criado, em 19 de março de 2024.
O recorde superou a pontuação registrada apenas um dia antes. Na quinta-feira (1º), o índice havia fechado em 32,39 pontos, então o maior patamar de sua série.
O VIX Brasil é calculado com base nas opções sobre o Ibovespa negociadas na B3 (B3SA3) e reflete a volatilidade implícita projetada pelo mercado para o horizonte de 30 dias. Na prática, quanto mais alto o número, maior a expectativa de oscilações bruscas nos preços das ações.
Segundo a B3, o indicador funciona como uma espécie de termômetro do sentimento de risco dos investidores, razão pela qual ganhou o apelido de "índice do medo". Ele costuma ganhar atenção de gestores, analistas e investidores em períodos de maior incerteza, principalmente na montagem de estratégias de proteção de carteira e de gestão de risco.
Na avaliação da própria bolsa, o nível atingido pelo indicador revela incerteza elevada entre os investidores, com espaço para movimentos expressivos do Ibovespa tanto na direção de alta quanto de queda. 
Pela metodologia do índice, leituras superiores a 30 pontos costumam estar ligadas a períodos de maior instabilidade, caracterizados por variações mais acentuadas nos preços dos ativos.

Ibovespa vai ao maior nível desde abril no último pregão pré-eleição

O recorde do medo conviveu com um dia de forte apetite por ações. No último pregão antes da votação, os investidores aproveitaram o otimismo em torno de uma possível alternância de poder para ampliar posições na bolsa. 
O Ibovespa superou a faixa dos 192 mil pontos e fechou aos 192.114,55 pontos, o maior nível desde 17 de abril, quando havia alcançado 192.888,96 pontos.
O cenário externo também colaborou. Dados mais fracos do mercado de trabalho americano estimularam a busca por risco no exterior e favoreceram os ativos de países emergentes, dando suporte ao avanço das principais ações brasileiras. 
O volume financeiro foi robusto, de R$ 31 bilhões. Com o resultado, o Ibovespa encerrou a semana com ganho acumulado de 4,71% e já sobe 19% em 2026.

Sessão teve vaivém intenso e reação direta ao trade eleitoral

A alta, porém, não veio em linha reta. Daniel Teles, sócio e especialista da Valor Investimentos, observa que o índice chegou a subir cerca de 1,8% pela manhã, devolveu todo o ganho, passou ao campo negativo e só retomou a trajetória de alta ao longo da tarde.
📈 "É um mercado totalmente reativo ao 'trade' eleitoral. O que eu vejo é o mercado confiante com um primeiro turno bem acirrado e aproveitando essa janela para se posicionar antes das eleições", avalia Teles.