Porto e Fleury desistem de negócio com a Oncoclínicas

Oncoclínicas vai avaliar outras formas de reestruturar suas contas, enquanto busca proteção judicial contra credores.

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Publicado em 14/04/2026 às 08:18h Publicado em 14/04/2026 às 08:18h por Marina Barbosa
Oncoclínicas entrou com uma cautelar contra cobranças de credores (Imagem: Divulgação)
Oncoclínicas entrou com uma cautelar contra cobranças de credores (Imagem: Divulgação)
A criação de uma nova empresa de saúde, com ativos da Oncoclínicas (ONCO3) e aporte financeiro da Porto (PSSA3) e da Fleury (FLRY3), foi deixada de lado.
🏥 As empresas decidiram abandonar a negociação nessa segunda-feira (13), depois que o prazo de exclusividade das tratativas acabou, sem que nenhum acordo tivesse sido costurado.
"A Companhia, a Porto e o Fleury decidiram não renovar o período de exclusividade do Term Sheet e, portanto, as negociações sobre a Potencial Transação foram oficialmente encerradas", informou a Oncoclínicas.
Sem explicar o que travou as negociações, a Porto disse apenas que, com isso, a Oncoclínicas fica liberada da exclusividade nas tratativas.
A Fleury afirmou que "analisa constantemente as condições do mercado, à luz dos seus planos de investimentos, buscando manter-se permanentemente em condições de beneficiar-se de eventuais oportunidades de mercado compatíveis com esses planos e objetivos estratégicos".

Oncoclínicas avalia outras operações

Já a Oncoclínicas disse que "continuará avaliando as propostas de potenciais operações financeiras, bem como eventuais operações societárias, que possam endereçar a sua situação econômico-financeira, inclusive aquelas surgidas nas últimas semanas e que não puderam ser exploradas, tendo em vista a exclusividade então em vigor".
Além da oferta de até R$ 1 bilhão da Porto e da Fleury, a Oncoclínicas recebeu uma proposta alternativa do fundo americano Mak Capital.
Dono de uma fatia de 6,31% da Oncoclínicas, o Mak Capital propôs aportar R$ 500 milhões no negócio, mas, em troca, pediu a eleição de um novo Conselho de Administração para a empresa.

Oncoclínicas pede proteção contra credores

Enquanto busca uma forma de reorganizar sua situação financeira, a Oncoclínicas também foi à Justiça pedir proteção contra o vencimento antecipado de dívidas.
"A Tutela Cautelar terá como objetivo proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para a Companhia, permitindo que ela conduza a mediação e negociação com seus credores sem interrupção de suas atividades ou alteração na condução ordinária de seus negócios, apesar do atual cenário macroeconômico e setorial desafiador", informou.
A Oncoclínicas fechou o ano passado com um prejuízo de R$ 3,65 bilhões, além de uma dívida financeira líquida de R$ 2,9 bilhões.
Ao apresentar o balanço, a companhia admitiu que não tinha condições de cumprir com os compromissos financeiros assumidos no curto prazo e falou até em "incertezas significativas da continuidade operacional"
Nessa segunda-feira (13), a empresa garantiu, por sua vez, que "permanece operando normalmente e continua empenhada em manter conversas positivas com seus credores visando ao atingimento de um acordo que seja benéfico a todos os seus investidores".