PIB do Brasil desacelera e cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026

A agropecuária sustentou o PIB, enquanto os juros altos pesavam sobre a indústria e os serviços.

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Publicado em 01/09/2026 às 10:25h Publicado em 01/09/2026 às 10:25h por Marina Barbosa
O comércio ficou estagnado no segundo trimestre de 2026 (Imagem: Shutterstock)
O comércio ficou estagnado no segundo trimestre de 2026 (Imagem: Shutterstock)
A economia brasileira perdeu fôlego no segundo trimestre de 2026, pressionada pelos juros altos.
📊 O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 0,5% no trimestre, na comparação com os três meses anteriores, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado representa uma desaceleração frente à expansão de 1,1% do PIB vista no primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, ficou levemente acima do esperado pelo mercado, que projetava um crescimento de 0,4% da atividade econômica. 

Setores

Com os juros altos pressionando o consumo das famílias e os investimentos, o ritmo de crescimento do setor de serviços e da indústria diminuiu. Por isso, foi a agropecuária que acabou sustentando a alta de 0,5% do PIB.
🌱 De acordo com o IBGE, a agropecuária registrou um avanço de 2,8% no trimestre, enquanto os serviços cresceram apenas 0,2% e a indústria variou 0,1%.
Nos serviços, a alta foi puxada pelas atividades de informação, comunicação e transporte, além do segmento imobiliário. Isso porque o comércio e as outras atividades de serviço ficaram no zero a zero, enquanto as atividades financeiras e de seguros perderam fôlego.
Já na indústria, o resultado levemente positivo se deve ao desempenho das indústrias extrativas, sobretudo à extração de petróleo, pois o trimestre não foi favorável para os setores de eletricidade, gás e construção, nem para a indústria de transformação.

Demanda

Pelo lado da demanda, os investimentos e o consumo do governo explicam a alta de 0,5% do PIB do segundo trimestre.
💲 A Formação Bruta de Capital Fixo, que representa os investimentos realizados no país, cresceu 1,2% no trimestre -um resultado inferior aos 3,5% vistos no trimestre anterior, mas ainda importante para o PIB.
Já o consumo do governo manteve um ritmo de crescimento de 0,4%, enquanto o consumo das famílias caiu 0,4%, em meio aos juros altos, à alta do endividamento e à pressão da inflação.
As exportações também recuaram (-0,8%), diante das incertezas do cenário externo. Já as importações cresceram 1,8% frente ao primeiro trimestre de 2026.

Comparação anual

Em relação ao mesmo período de 2025, o PIB do Brasil cresceu 2%, também puxado pela agropecuária. 
Já no acumulado do primeiro semestre de 2026, a economia brasileira cresceu 1,9%.
Este também foi o resultado do PIB no acumulado dos últimos quatro trimestres.

Expectativas para 2026

De acordo com o Boletim Focus, o mercado espera que o PIB cresça 1,92% no acumulado de 2026. A projeção foi reduzida nas últimas semanas, em meio à preocupação com a desaceleração da atividade econômica.
Na avaliação de especialistas, o resultado do PIB do segundo trimestre reforça essa perspectiva de um crescimento mais fraco em 2026.
O economista da XP, Rodolfo Margato, explicou que, embora tenha vindo levemente acima do esperado pelo mercado, o PIB do segundo trimestre trouxe sinais negativos, como a fraqueza do consumo das famílias.
O economista da Buyside Brazil, Rodolpho Sartori, acrescentou que, desconsiderando a agropecuária, o PIB cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre, sugerindo um ritmo mais moderado da atividade subjacente.
"Com juros elevados e condições financeiras restritivas, esperamos que a economia perca ímpeto nos próximos trimestres", afirmou Sartori.
A XP também espera que a atividade econômica fique praticamente estagnada ao longo do segundo semestre. Além disso, avalia que o resultado do PIB reforça a perspectiva de manutenção do ciclo de cortes da Selic.
A casa projeta uma Selic de 13,25% ao final de 2026, o que implica mais três cortes de 0,25 ponto percentual dos juros neste ano. Porém, o consenso do mercado ainda aposta em uma Selic de 13,75% em dezembro, de acordo com o Focus.