Petrobras (PETR4) busca acordo com a estatal de petróleo do México; entenda

A ideia é usar a tecnologia para exploração de petróleo em águas profundas no Golfo do México.

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Publicado em 30/04/2026 às 16:13h Publicado em 30/04/2026 às 16:13h por Marina Barbosa
Pemex busca parcerias para explorar petróleo no Golfo do México (Imagem: Shutterstock)
Pemex busca parcerias para explorar petróleo no Golfo do México (Imagem: Shutterstock)
A Petrobras (PETR4) está costurando uma parceria com a estatal de petróleo do México, a Pemex.
🛢️ A colaboração foi proposta pela estatal brasileira, diante das tentativas de exploração de petróleo nas águas profundas e ultraprofundas do Golfo do México -área que teria bilhões de barris e já está na mira de gigantes como BP e Eni.
A Pemex tem feito parcerias com empresas privadas para explorar a área, mas um derramamento de petróleo foi registrado na região em março deste ano.
Diante disso, a Petrobras decidiu propor uma parceria com a estatal mexicana, ressaltando a sua expertise na exploração de águas profundas e ultraprofundas, consolidada no pré-sal.
A iniciativa ainda atenderia aos interesses da estatal brasileira de desbravar novas fronteiras de exploração, para garantir a reposição das suas reservas.
Porém, é discutida em meio a um momento desafiador para a Pemex. É que a estatal mexicana teve um prejuízo de 46 bilhões de pesos mexicanos no primeiro trimestre, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30). Isto é, cerca de US$ 2,6 bilhões.

Lula e Magda falam com Sheinbaum

📞 Por isso, a ideia foi apresentada pela CEO da Petrobras, Magda Chambriard, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que logo depois conversou sobre o assunto com a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
"Você sabia que a Pemex pode ter uma ajuda muito grande da Petrobras para explorar petróleo junto com a Pemex no Golfo do México, a 2.500 metros?", disse Lula, no final de março.
Na sequência da conversa entre Lula e Sheinbaun, a presidente da Petrobras foi ao México para aprofundar as tratativas sobre o assunto.
A reunião ocorreu na última sexta-feira (24) e discutiu os termos de uma possível parceria nas áreas de exploração, produção e transformação de petróleo, assim como na produção de biodiesel.
Sheinbaun publicou uma foto do encontro nas redes sociais e contou nesta semana que as conversas vão continuar, com em uma visita da equipe técnica da Petrobras ao México, no próximo dia 13 de maio. Veja o post da presidente mexicana:
Nessa quarta-feira (29), Sheinbaun disse que a Petrobras é uma empresa "muito boa" e que tem discutido a transferência de tecnologia entre as estatais.
"Eles desenvolveram muitas metodologias de extração de petróleo e outras coisas, como a produção de biodiesel e etanol. Então, concordamos em colaborar para que possamos aproveitar muitos desenvolvimentos tecnológicos que eles têm e para que eles possam aproveitar os desenvolvimentos tecnológicos que nós temos", afirmou.
A presidente mexicana ainda revelou nesta quinta-feira (30) que torce para que um memorando de entendimento para colaboração e cooperação seja confirmado pelas empresas e disse que viria ao Brasil para assinar o texto, junto com Lula.

Petrobras expande fronteiras

A Petrobras tem buscado novas fronteiras de exploração para garantir que a sua produção de petróleo continuará em crescimento, pois há uma previsão de declínio na produção do pré-sal a partir de 2030.
A principal aposta da companhia nesse sentido é a Margem Equatorial, área que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá e inclui a Foz do Amazonas.
A companhia também trabalha para abrir novas fronteiras de exploração no Sul e no Nordeste do Brasil, nas bacias de Pelotas e Sergipe-Alagoas, respectivamente.
Além disso, tenta alongar a vida útil dos campos maduros do pré-sal e do pós-sal e segue explorando o potencial da área, tendo inclusivo feito novas descobertas de petróleo recentemente.
Os esforços de recomposição das reservas vão além do território e das águas brasileiras, com atividades em países como a Colômbia e a retomada dos investimentos na costa da África.
A estatal já fechou a compra de participações em sete blocos exploratórios na costa oeste africana desde 2024, por entender que a região tem condições geológicas semelhantes às do pré-sal.