Tributação de dividendos derruba pagamentos em 27%, aponta estudo

Empresas distribuíram R$ 116,7 bilhões em proventos até maio, bem abaixo do registrado no ano anterior.

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Publicado em 17/06/2026 às 15:04h Publicado em 17/06/2026 às 15:04h por Wesley Santana
Dividendos são lucros pagos pelas empresas aos seus acionistas (Imagem: Shutterstock)
Dividendos são lucros pagos pelas empresas aos seus acionistas (Imagem: Shutterstock)

Um levantamento feito pela fintech Meu Dividendo mostrou que, desde que a nova tributação entrou em vigor, a liberação de dividendos por empresas da bolsa caiu 27%. O estudo destaca que, até maio deste ano, foram pagos R$ 116,7 bilhões em proventos, montante que representa um recuo de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No começo deste ano, o governo federal colocou na rua uma legislação que tributa em 10% os dividendos pagos aos acionistas. A medida deixou de fora, porém, os dividendos aprovados em 2025, o que fez com que muitas empresas da B3 saíssem para remunerar seus acionistas rapidamente.

Diante disso, houve uma corrida para que as companhias aproveitassem suas reservas de lucros para pagar dividendos sem tributação. Por isso, especialmente no último trimestre do ano, foi registrado um movimento atípico de pagamento de proventos.

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“Minha impressão é que, de fato, no primeiro ano, o governo ficaria frustrado mesmo. A verdade é que as pessoas jurídicas pegaram os lucros todos, até de anos anteriores, e fizeram uma grande distribuição. Então, as empresas ou não estão necessitando de distribuições durante o ano ou estão quitando aquelas distribuições declaradas, só que sem a incidência tributária”, afirma Giancarlo Matarazzo, sócio do Pinheiro Neto Advogados, em entrevista ao Valor.

Mas há quem aposte também que a queda nos desembolsos seja um reflexo do cenário mais comedido no mercado de capitais, especialmente com o cenário global marcando presença nas contas das empresas.

“Além de toda essa incerteza no cenário global, as empresas também estão revisando suas estratégias de caixa. Os juros continuam elevados, então captar recursos é muito custoso. As empresas que têm que fazer algum tipo de expansão, investimento na sua operação, entre pagar dividendos e ter que recorrer ao banco, preferem muitas vezes usar parte desse capital que está dentro do caixa”, diz Wendell Finotti, fundador da Meu Dividendo, à reportagem.

Apesar disso, diversas empresas liberaram dividendos importantes ao longo do primeiro semestre deste ano. Para este mês, nomes como Itaú (ITUB4), Gerdau (GGBR4) e Banco do Brasil (BBAS3) devem depositar participações nos lucros direto na conta dos acionistas.

No caso do Itaú, o banco anunciou quase R$ 4 bilhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP), que serão depositados aos acionistas no dia 31 de agosto. Cada ação dará direito a R$ 0,36, mas só entra na fila quem tiver ações do banco até o fim desta quinta-feira (18).