Paramount faz acordo para destravar compra da Warner Bros; veja as condições

A empresa assume uma série de obrigações no acordo, como o lançamento de 30 filmes por ano.

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Publicado em 21/09/2026 às 17:00h - Atualizado em 21/09/2026 às 17:03h Publicado em 21/09/2026 às 17:00h Atualizado em 21/09/2026 às 17:03h por Marina Barbosa
Pelo acordo, Paramount terá que elevar investimentos na produção de filmes nos EUA (Imagem: Shutterstock)
Pelo acordo, Paramount terá que elevar investimentos na produção de filmes nos EUA (Imagem: Shutterstock)
A Paramount Skydance (PSKY34) fechou um acordo para destravar a compra da Warner Bros (W1BD34), mas assumindo uma série de obrigações em troca disso.
Avaliada em US$ 110 bilhões, a fusão promete criar um dos maiores grupos de entretenimento do mundo. Por isso, foi questionada na Justiça por 12 estados americanos que temiam uma redução da concorrência no setor. A Skydance, no entanto, concordou em atender a algumas das preocupações dos estados e fechou um acordo para prosseguir com o negócio.
O acordo foi anunciado nesta segunda-feira (21) pelo procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, que liderou a ação contra a fusão.
"Hoje, garantimos um acordo que resolve nossas preocupações antitruste em relação à fusão Warner Bros/Paramount -preocupações de que a fusão reduziria a produção e aumentaria os preços-, garantindo investimentos maciços na produção cinematográfica nacional e fornecendo salvaguardas ​​para ajudar a manter os preços da TV a cabo competitivos", afirmou Rob Bonta.
O CEO da Paramount Skydance, David Ellison, confirmou o acordo, dizendo que o objetivo da empresa "sempre foi construir uma Hollywood mais forte, com mais histórias contadas, maior escolha para os consumidores e competição mais forte".
"Reunir a Paramount e a Warner Bros. Discovery construirá essa Hollywood mais forte, criando mais oportunidades para nosso povo e ainda mais ótimo entretenimento para o público ao redor do mundo", disse Ellison.

Os compromissos assumidos pela Skydance

🎥 No acordo, a Skydance se compromete a lançar ao menos 30 filmes por ano e a elevar os investimentos na produção cinematográfica americana em pelo menos US$ 1,5 bilhão ao longo de cinco anos.
A empresa ainda terá que criar um fundo de US$ 47,5 milhões para apoiar os trabalhadores afetados pela fusão e conselhos editoriais independentes para a CNN e a CBS.
De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados, o objetivo é garantir que a fusão não vai reduzir a produção de filmes americanos, prejudicar os trabalhadores dessa indústria ou afetar a independência da produção jornalística a CNN e a CBS.
O acordo também conta com medidas que visam assegurar a manutenção de preços baixos para os consumidores americanos, na TV a cabo e no streaming. O serviço de streaming Pluto TV, por exemplo, deve continuar sendo gratuito.
O Departamento de Justiça dos Estados destacou ainda que um monitor independente será nomeado para supervisionar o cumprimento do acordo, pois a Skydance pode ser alvo de punições caso desrespeite essas condições.
Caso não cumpra a meta de produção cinematográfica anual, por exemplo, a empresa será obrigada a se desfazer da Miramax Studios e a pagar US$ 30 milhões por filme não lançado para os fundos de saúde e aposentadoria dos trabalhadores do setor.

Tempo curto para a fusão

O acordo ainda precisa ser aprovado pela Justiça dos Estados Unidos, que em julho suspendeu a compra da Warner pela Skydance devido à ação dos estados americanos.
💸 A Paramount tem um tempo curto para avançar com a fusão, pois terá que pagar uma multa diária de US$ 7 milhões aos acionistas da Warner Bros caso não consiga fechar o negócio até 30 de setembro. No entanto, disse no início deste mês que estava pronta para concluir o negócio assim que as pendências judiciais fossem resolvidas.
Em comunicado enviado aos funcionários da empresa após a assinatura do acordo, o CEO da Paramount teria dito que esperava concluir o negócio em duas semanas.

A polêmica em torno do negócio

📺 A Paramount é dona de canais de televisão como Nickelodeon, MTV e CBS, além da própria Paramount Network e do serviço de streaming Paramount+.
Já a Warner Bros assina canais como HBO, Warner Channel, TNT, Cartoon Network, Discovery Channel e CNN International, além de franquias multibilionárias como Harry Potter e Game of Thrones. 
Diante disso, estrelas de Hollywood posicionaram-se contra a fusão, devido ao receio de que o negócio reduza a concorrência e a geração de empregos no setor.
Para os consumidores, a fusão promete remodelar o serviço de streaming, ao oferecer um amplo catálogo de filmes e séries, mas também transmissões esportivas e opções de entretenimento ao vivo, inclusive por meio da possível combinação dos serviços de streaming HBO Max e ​Paramount+. 
Porém, há uma preocupação de que a criação deste super streaming leve a preços maiores e mais controle sobre os conteúdos que são disponibilizados ao público.