Crise bancária faz Paraguai trocar de presidente; EUA e Lula já falam com Alliana

O Senado paraguaio destituiu Santiago Peña por 44 votos, o ex-presidente foi detido em casa e Pedro Alliana assumiu o comando do país.

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Publicado em 07/11/2026 às 12:36h Publicado em 07/11/2026 às 12:36h por Matheus Silva
Alliana e o vice Antonio Barrios conduzirão o país até agosto de 2028 (Imagem: Divulgação)
Alliana e o vice Antonio Barrios conduzirão o país até agosto de 2028 (Imagem: Divulgação)

🌎 O Paraguai trocou de presidente em questão de horas, e a sucessão veio acompanhada de uma cena incomum. Pedro Alliana tomou posse nesta sexta-feira (6), depois de o Senado aprovar o impeachment de Santiago Peña em meio à crise do Ueno Bank. 

Quase ao mesmo tempo em que a cerimônia acontecia no Congresso, o ex-presidente era detido em sua residência, em Assunção, por determinação das autoridades do país.

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A destituição foi praticamente unânime. Dos 45 integrantes da Casa, os 44 senadores presentes votaram a favor do afastamento. O julgamento político ocorreu depois do agravamento da crise envolvendo o banco digital, que abriu investigações sobre possíveis irregularidades e conflitos de interesse dentro do governo.

Logo após a votação, Alliana, então vice-presidente, prestou juramento perante o Congresso Nacional. Ele deve completar o mandato iniciado em 2023, com término previsto para agosto de 2028.

Peña vai para prisão domiciliar e ex-chefe do BC também é detido

A ordem de detenção contra Peña foi expedida no âmbito da investigação conduzida pelo Ministério Público sobre o caso Ueno Bank. 

Segundo o jornal paraguaio ABC Color, agentes da Polícia Nacional foram até a casa do ex-presidente, notificaram a medida e o colocaram sob custódia, à disposição da Justiça.

A apuração envolve suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis crimes ligados ao colapso da instituição financeira. As autoridades também determinaram a detenção de Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai.

Peña nega irregularidades e sustenta que o episódio envolvendo o banco é uma questão regulatória. Ele havia anunciado a renúncia na quinta-feira (5), mas os parlamentares optaram por seguir com o processo de impeachment, concluído no dia seguinte.

➡️ Leia mais: Ueno Bank copia Banco Master e precisa ressarcir brasileiros; entenda o FGC do Paraguai

Colapso de banco digital levou clientes às ruas de Assunção

No centro da crise está o Ueno Bank, instituição digital que expandiu rapidamente sua presença no país nos últimos anos. 

O banco acabou alvo de intervenção do Banco Central paraguaio depois de enfrentar problemas financeiros e questionamentos sobre operações de crédito e relações com integrantes do poder político.

O episódio deixou clientes temporariamente sem acesso aos recursos depositados e provocou manifestações em Assunção, com cobranças por ressarcimento e por responsabilização dos envolvidos.

Um dos personagens centrais do escândalo é Miguel Vázquez, fundador do Ueno Bank, empresário ligado ao grupo que controlava a instituição e que mantinha relações comerciais com Peña. 

As acusações que sustentaram o impeachment incluem possíveis conflitos de interesse e interferências na fiscalização do sistema financeiro, pontos que o ex-presidente contesta.

Alliana promete acelerar ressarcimento aos depositantes

Na cerimônia de posse, o novo presidente afirmou que o país enfrenta dificuldades urgentes e prometeu priorizar medidas voltadas aos cidadãos atingidos pela crise financeira. 

Segundo ele, o governo vai buscar acelerar as providências para compensar os depositantes prejudicados pelo colapso do Ueno Bank, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.

Alliana só chegou ao cargo porque a Câmara dos Deputados rejeitou, na quinta-feira, um pedido de impeachment contra ele próprio. A decisão preservou a linha de sucessão prevista na Constituição paraguaia.

Na mesma sessão desta sexta-feira, os parlamentares escolheram Antonio Barrios para a Vice-Presidência. Senador pelo Partido Colorado, ele foi aprovado por unanimidade e prestou juramento perante o Congresso. 

A dupla deve conduzir o Executivo até agosto de 2028, com três desafios imediatos, recuperar a confiança no sistema financeiro, devolver os recursos aos clientes do banco e estabilizar politicamente o país.

➡️ Leia mais: Ex-presidente do Paraguai é preso em casa após impeachment

EUA reconhecem o novo governo e falam em aliado estratégico

A troca de comando também movimentou a diplomacia. Em nota divulgada nas redes sociais neste sábado (7), a embaixada dos Estados Unidos no Paraguai reconheceu Alliana como presidente e sinalizou continuidade na relação entre os dois países.

“O Paraguai é um parceiro regional estratégico, amigo e aliado dos Estados Unidos. Esperamos trabalhar com o governo do presidente Alliana para avançar os interesses de ambas as nações e seus povos”, diz o comunicado.

Na rede X, o secretário assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, Juan Pablo Segura, classificou o país vizinho como parceiro estratégico e disse estar “ansioso para colaborar com o presidente Alliana e seu governo para promover os interesses tanto do povo americano quanto do paraguaio”.

Em manifestação anterior, publicada na sexta-feira, a embaixada havia expressado solidariedade ao povo paraguaio pela situação atravessada e feito um apelo. 

“Encorajamos, como amigo e aliado do Paraguai, que as autoridades e o povo paraguaio mantenham a paz e respeitem suas instituições democráticas.”

Lula deseja êxito a Alliana e o convida para ir a Brasília

Do lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se pronunciou. Em publicação na rede X, ele desejou êxito ao novo presidente paraguaio e manifestou interesse em trabalhar de maneira aberta, franca e cooperativa, em favor do fortalecimento da relação bilateral e da integração sul-americana.

Lula ainda estendeu um convite. “Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade”, escreveu.

💰 A estabilidade do vizinho tem peso direto para o Brasil. Os dois países são sócios na hidrelétrica Itaipu Binacional, uma das maiores do mundo, o que torna a relação bilateral especialmente sensível a crises políticas em Assunção.