O mercado financeiro enfrenta mais uma Super Quarta nesta semana, mas com perspectivas bem distintas no Brasil e nos Estados Unidos.
A expectativa é de mais um corte da
taxa Selic e da primeira alta dos juros americanos em três anos.
Se confirmado, esse cenário deve reduzir o diferencial de juros entre os países e mexer com o retorno de muitos investimentos.
O Investidor10 explica, então, por que o mercado espera decisões opostas do Copom (Comitê de Política Monetária) e do Fed (Federal Reserve), assim como os potenciais impactos desse cenário para os seus investimentos.
Copom deve cortar a Selic
🏦 O Copom se reúne para definir o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira nesta terça (15) e quarta-feira (16).
A expectativa do mercado é de um novo corte de 0,25 ponto percentual da
Selic, que levaria os juros dos atuais 14% para 13,75% ao ano -o menor patamar desde março de 2025.
A redução é esperada já que a atividade econômica esfriou e a inflação desacelerou no Brasil, chegando a registrar um
resultado negativo em agosto.
Porém, deve ser anunciada com muita cautela, pois ainda há riscos de alta dos preços, a começar pela recente disparada do
petróleo e pelo El Niño. Além disso, a situação fiscal ainda preocupa o mercado.
Não à toa, a expectativa de inflação do mercado diminuiu para 4,90% em 2026, mas subiu para 4,30% em 2027 no último
Boletim Focus, ficando um pouco mais distante da meta de 3% perseguida pelo BC (Banco Central).
Na avaliação da XP, este cenário misto deve reforçar a postura cautelosa do Copom, mas não impedir um corte adicional na taxa de juros, pois "o Comitê tem demonstrado preferência por focar em horizontes mais longos, após a dissipação desses choques".
A XP acredita, então, que o Copom vai derrubar a Selic para 13,75% ao ano, mas reforçar o discurso de que o cenário econômico requer serenidade e cautela na condução da política monetária, deixando em aberto os próximos movimentos dos juros.
Fed vai no caminho oposto
💵 O Fed também se reúne nesta semana para definir o rumo dos juros americanos, mas por lá a expectativa é totalmente diferente.
O mercado aposta em uma alta de 0,25 ponto percentual da taxa de juros americana, que hoje oscila na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
O aumento seria o primeiro desde julho de 2023 e já é criticado por Donald Trump, mas entrou na conta do mercado devido à persistência da inflação e à força do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Se confirmada, a alta tende a elevar a atratividade dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries. Por isso, pode reduzir o interesse dos investidores estrangeiros em ativos emergentes, como os do Brasil.
É um cenário que pode pressionar o câmbio de países emergentes e limitar os cortes de juros no Brasil, segundo a CEO da Magno Investimentos, Olivia Flôres de Brás.
"Uma depreciação mais persistente do real encarece produtos e insumos dolarizados e pode reduzir a liberdade do Copom para acelerar o ciclo de cortes. Uma decisão tomada em Washington pode, portanto, alterar a velocidade da Selic", afirmou.
Como investir nesse cenário?
📊 Dessa forma, a Super Quarta pode trazer gatilhos mistos para os investimentos brasileiros.
De um lado, a queda da Selic reduz um pouco os retornos da
renda fixa e pode dar um alívio às empresas brasileiras, que têm apresentado dificuldades diante dos juros altos e do aumento do endividamento.
Por outro lado, a alta dos juros americanos pode reduzir o apetite do investidor estrangeiro pelos ativos brasileiros, afetando o desempenho da Bolsa.
Por isso, os especialistas recomendam que os investidores mantenham a cautela e apostem na diversificação da carteira para navegar nesse cenário.
"O corte da Selic pode ajudar um pouco a renda variável, mas tem que estar atento à questão do endividamento das empresas, porque são muitos anos de juros elevados e não estamos em uma situação tão confortável assim", afirmou o planejador financeiro Stefano Tremea.
O especialista disse ainda que este não é o sinal para abandonar a renda fixa, pois esta classe de ativos deve continuar entregando retornos atraentes, mesmo com o novo corte da Selic. Além disso, lembrou que a queda do
dólar cria oportunidades de dolarização do portfólio.
"Ainda existe remuneração muito relevante na renda fixa brasileira, enquanto a continuidade do ciclo de cortes pode abrir oportunidades em duration, renda variável e outros ativos de risco; ao mesmo tempo, o cenário americano reforça a importância da diversificação internacional", reforçou Olivia Flôres de Brás.