A cotação do
iene japonês voltou a chamar a atenção dos investidores globais nesta quinta-feira (3), ao disparar mais de +2% no pregão e valer ¥ 155,28 por
dólar americano, o maior patamar nos últimos 30 dias. Os especuladores de plantão já apostam que o Banco do Japão está prestes a elevar a taxa básica de juros por lá.
Mesmo o real brasileiro, sendo uma moeda de país em desenvolvimento, conseguiu registrar leve valorização de +1,61% contra a moeda dos Estados Unidos no mesmo período, o que só escancara a crise cambial do Japão e o desmantelo do carry trade, período em que era vantajoso fazer dívida no iene japonês, dado que os juros eram baixos (até negativos).
Por sua vez, os títulos do governo japonês, com vencimento em 30 anos, seguem no maior nível de taxas das últimas três décadas, pagando acima de 4% ao ano.
Vale destacar que o governo japonês até obteve sucesso no leilão de dívida pública realizado nesta data, em que grandes investidores abocanharam toda a oferta (justamente por conta de a renda fixa estar excepcionalmente atrativa), o que até reduziu as taxas e destravou fortes lucros com marcação a mercado.
Para os investidores brasileiros, o que mais importa nessa história de valorização do iene japonês e juros elevados do outro lado do planeta é que o fluxo de capital estrangeiro na B3 tende a migrar seja para o mercado japonês ou para os EUA, que também oferecem taxas recordes em seus treasury bonds.
Só em agosto de 2026, o fluxo estrangeiro na bolsa de valores brasileira foi negativo em R$ 18,1 bilhões, a pior saída mensal de 2021. Tal debandada dos gringos, os verdadeiros ditadores de tendências para os investimentos brasileiro, coincidiu com o
Ibovespa perdendo a região dos 180 mil e faznedo fundo em 166 mil pontos.