Os investidores globais mudaram sua visão sobre a decisão de juros do Federal Reserve em setembro de 2026, após o banqueiro central Kevin Warsh dar sinais durante o simpósio de
Jackson Hole nesta sexta-feira (28) de que o seu trabalho ainda não acabou até que a meta de inflação americana alcance os 2% ao ano.
Nas entrelinhas, o mercado precificou que as chances da taxa básica de juros americana subir em 25 pontos-base (com juros oscilando entre 3,75% e 4,00% ao ano) são maiores, o que não limitou os impactos apenas nos títulos do governo dos Estados Unidos, como também os juros compostos pagos pelo nosso
Tesouro Direto.
Para se ter ideia, ontem as apostas do mercado sobre a próxima decisão do Federal Reserve eram de apenas 35% de chances de os juros subirem; porém, com as novas falas de Kevin Warsh, os contratos de opções que colocam dinheiro na probabilidade de aumento dos juros subiram para 57%, ou seja, a maioria dos investidores em Wall Street já espera um tom mais hawkish (agressivo ao combate da inflação).
Como consequência à renda fixa brasileira, as taxas oferecidas pelo Tesouro Direto voltaram a saltar hoje, interrompendo sequência de quedas desde o dia 14 de agosto de 2026, que vinha abrindo espaço para janela de lucros com marcação a mercado. Agora vemos o inverso.
Só os rendimentos do
Tesouro Prefixado 2032 avançaram de 14,47% ao ano, no último dia 26 de agosto, para encostarem nos atuais 14,55% ao ano. Em compensação, o seu preço unitário cedeu de R$ 487,94 para R$ 486,66, respectivamente.
O próprio time de research da XP agora prevê a taxa Selic em 13,25% ao ano no final de 2026, e não mais em 14% ao ano, como acontecia antes, já que especialistas enxergam sinais claros da desaceleração da atividade e que a desinflação chegou antes do previsto.