Ibovespa recua e dólar passa de R$ 5,20, com mercado de olho nos juros dos EUA

O mercado elevou a aposta de alta dos juros americanos, após discurso do presidente do Fed.

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Publicado em 28/08/2026 às 13:02h Publicado em 28/08/2026 às 13:02h por Marina Barbosa
O dólar bateu o maior patamar dos últimos 10 dias nesta sexta-feira (Imagem: Shutterstock)
O dólar bateu o maior patamar dos últimos 10 dias nesta sexta-feira (Imagem: Shutterstock)
O Ibovespa voltou a operar em queda e o dólar disparou nesta sexta-feira (28), com os investidores de olho nos juros dos Estados Unidos. 
📉 O principal índice da B3 recuava 0,61% e beirava os 174 mil pontos às 12h30, interrompendo uma sequência de sete altas consecutivas.
Já o dólar avançava 1,02% e era negociado acima de R$ 5,20, o que não acontecia há cerca de 10 dias.

O que mexe com o mercado?

A Bolsa brasileira entrou em rota de queda após o discurso do presidente do Fed (Federal Reserve), Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole -um dos principais eventos de política monetária do mundo.
💵 Na ocasião, Kevin Warsh mostrou cautela com o rumo da inflação dos Estados Unidos, reforçando as apostas do mercado na alta dos juros americanos.
Na avaliação do presidente do Fed, a inflação americana ainda não mostra uma "melhora significativa", mesmo tendo vindo melhor do que o esperado nos últimos meses. "O progresso nos últimos dois anos tem sido modesto", afirmou.
A inflação medida pelo PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal) marcou 3,7% em julho, bem acima da meta de 2% perseguida pelo Fed. Por isso, Warsh disse que o foco da instituição neste momento deve ser o controle dos preços.
"Precisamos ter confiança de que a inflação subjacente está caminhando para o nosso objetivo, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Essa é a nossa função", declarou.

Impacto nos mercados

🏦 O presidente do Fed disse ainda que as taxas de juros de curto prazo são a principal ferramenta à disposição do Fed para isso. Por isso, o mercado elevou a aposta na alta dos juros americanos.
De acordo com a plataforma Fed Watch, a expectativa de que os juros subam na próxima reunião do Fed subiu de 35,4% para 57,5% nesta sexta-feira (28). A reunião está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
As taxas de juros dos Treasuries também avançaram na esteira da declaração de Warsh, elevando a atratividade da renda fixa dos Estados Unidos e pressionando moedas emergentes como o real.
Além de pressionar o dólar, o movimento cria dúvidas sobre os próximos passos do Copom (Comitê de Política Monetária), segundo analistas. Por isso, as taxas dos títulos prefixados do Tesouro Direto também sobem no Brasil.
Por aqui, o mercado também reage à entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à "TV Globo". Na ocasião, Lula disse que não se preocupa com a dívida pública brasileira, por acreditar que a retomada do crescimento econômico vai diminuir a relação dívida pública/PIB (Produto Interno Bruto).