As preocupações apocalípticas, em algum grau, já motivam os magnatas da
inteligência artificial (IA) a colocar o pé no freio em 2026,
ainda que momentaneamente. O recado que assustou os investidores globais neste final de semana veio diretamente do CEO da
Anthropic, Dario Amodei, responsável por criar ferramentas que rivalizam com o ChatGPT, da
OpenAI.
O comandante de uma das startups mais cobiçadas do mundo disse que o mundo precisa “diminuir o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de
IA”. Em postagem oficial de blog, Amodei alegou que o avanço gerado pela IA está rápido demais e que, com essa pausa proposta, a humanidade ganharia em sabedoria.
Entre os argumentos mais fortes citados pelo CEO da Anthropic está a capacidade da
IA de se aprimorar e o incidente recente envolvendo as rivais OpenAI e Hugging Face, em que um enxame de agentes autônomos de
IA invadiu, por conta própria, um site de terceiros, sem quaisquer controles das equipes responsáveis pelas ferramentas.
Só em 2026, o seleto grupo das
Sete Magníficas (composto pelas gigantes de tecnologia
Apple,
Amazon,
Google,
Meta Platforms,
Microsoft,
Nvidia e
Tesla) pretende investir até US$ 750 bilhões em despesas de capital, sendo 90% desse montante destinado diretamente às infraestruturas de
IA, como servidores com GPUs,
data centers, processadores proprietários e infraestrutura de energia.
Por ora, o recado do CEO da Anthropic parece ter surtido efeito entre os seus pares, uma vez que o CEO da OpenAI, Sam Altman, já concordou com a proposta do rival e espera que outras gigantes de tecnologia adotem postura semelhante. Até o bilionário Elon Musk, dono da
SpaceX (SPCX), que abriga a Grok AI, já concordou com a tese.
Todavia, ambas as startups que vêm disputando a hegemonia da
IA no Ocidente mantêm, no pano de fundo,
suas ambições de crescimento, ao já terem protocolado pedidos de listagem de suas ações na bolsa de valores dos Estados Unidos.
Em suas conclusões, o CEO da Anthropic também teceu comentários sobre o poderio tecnológico da China, que pode alcançar domínio geopolítico com suas próprias ferramentas de
IA, caso o governo dos EUA não aplique isenções antitruste, embora a administração Trump já tenha evitado o controle regulatório da
IA.