Bolsa cai 3,71% na semana com escândalo político e guerra sem fim; veja quem se salvou

O índice foi pressionado na semana por ruídos políticos internos, conflitos no Oriente Médio e juros altos por mais tempo nos EUA.

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Publicado em 16/05/2026 às 11:46h Publicado em 16/05/2026 às 11:46h por Matheus Silva
A Cosan registrou o pior desempenho entre as ações do Ibovespa na semana (Imagem: Shutterstock)
A Cosan registrou o pior desempenho entre as ações do Ibovespa na semana (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Ibovespa (IBOV) encerrou a semana com queda de 3,71%, fechando a última sessão aos 177.283,83 pontos, acumulando a quinta semana consecutiva no vermelho. O dólar terminou a R$ 5,07, alta de 1,63% no pregão de sexta-feira (16) e valorização semanal de 3,55% frente ao real. 
O ruído político doméstico, o impasse geopolítico no Oriente Médio e o risco de juros elevados por mais tempo nos EUA dominaram o ambiente ao longo dos cinco pregões.
O principal catalisador doméstico da semana foi o vazamento, na quarta-feira (13), de um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. 
Segundo reportagem do Intercept Brasil, as mensagens indicam negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para analistas, a possível ligação de Flávio com Vorcaro, preso pela Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira, coloca em xeque a candidatura do senador à Presidência de outubro, em que ele era apontado como principal candidato da direita e favorito do mercado financeiro. 
Em entrevista à CNN Brasil na sexta-feira (16), Flávio afirmou que as conversas com o ex-banqueiro não vão impactar sua pré-candidatura. O mercado aguarda as próximas pesquisas de intenção de voto para mensurar o impacto na opinião pública. 
A incerteza eleitoral ofuscou o anúncio do governo de subvenção à gasolina como medida de contenção da alta dos combustíveis.

Viagem de Trump à China não avança nas negociações do Oriente Médio

No exterior, o mercado esperava avanços concretos nas negociações de paz no Oriente Médio a partir da visita do presidente Donald Trump à China, importante aliado e maior comprador de petróleo do Irã. 
O apoio de Pequim para pressionar Teerã, porém, não se materializou, e o impasse para um cessar-fogo entre Washington e Teerã se manteve. 
Com isso, o barril do Brent seguiu próximo de US$ 110, reforçando o temor de impactos inflacionários decorrentes dos preços de energia e elevando as expectativas de juros altos por mais tempo nas principais economias.
Nos EUA, os dados de inflação ao consumidor e ao produtor de abril vieram acima do esperado e nos maiores níveis desde 2023 e 2022, respectivamente, levando traders a precificar chances de elevação dos juros pelo Federal Reserve já em janeiro de 2027. 
Na sexta-feira (16), Jerome Powell deixou o comando do banco central americano após oito anos no cargo. Kevin Warsh, ex-diretor da instituição e visto como próximo de Trump, deve assumir a presidência do Fed. Powell deve permanecer como membro do conselho até 2028.

Braskem lidera os ganhos da semana com lucro de R$ 1,4 bi no 1T26

Na ponta positiva do Ibovespa, a Braskem (BRKM5) se destacou após divulgar seu balanço do primeiro trimestre de 2026. A petroquímica registrou lucro líquido de R$ 1,446 bilhão no período, alta de 107% em relação ao mesmo trimestre de 2025. 
O Ebitda recorrente somou R$ 1,0 bilhão, queda de 24% frente ao ano anterior, enquanto a receita líquida caiu 20%, para R$ 15,488 bilhões. 
A empresa afirmou que, apesar da volatilidade causada pelo conflito no Oriente Médio nos mercados internacionais a partir de março, o resultado trimestral "não foi impactado materialmente."
Para o BTG Pactual, a Braskem reportou resultados melhores no trimestre, com destaque para o Ebitda. 
"Embora os resultados devam melhorar de forma relevante no 2T26, diante da forte recuperação dos spreads, potencialmente elevando o Ebitda em cerca de 2 a 3 vezes no trimestre a trimestre, seguimos preocupados com a situação de liquidez da companhia", escreveram os analistas.

Cosan é a ação de pior desempenho; temporada de balanços na reta final

A Cosan (CSAN3) registrou o pior desempenho entre as ações do Ibovespa na semana, pressionada pelas incertezas em torno da reestruturação da Raízen e pelas declarações do CEO Marcelo Martins sobre a possível dissolução da holding em três a cinco anos
📊 A temporada de balanços do primeiro trimestre segue em sua reta final, com o mercado monitorando os resultados das últimas empresas a divulgar seus números.