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Bitcoin (BTC) registrou nesta semana uma das valorizações mais expressivas desde 2020.
Em sete dias, a maior criptomoeda do mundo acumulou alta de 24,8%, movimento que a Binance Research classificou como equivalente a 2,5 desvios-padrão em relação à média histórica, colocando o desempenho entre os 1% maiores ganhos semanais do BTC desde 2020.
Para Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, a valorização revela a sensibilidade das
criptomoedas a mudanças rápidas no cenário macroeconômico.
"O que vimos nesta semana não foi apenas uma forte valorização, e sim uma demonstração de como as criptomoedas reagem rapidamente quando o cenário macroeconômico muda", afirmou.
"Para o investidor brasileiro, isso reforça o papel de ativo de alta liquidez do bitcoin, mas também seu potencial para diversificação de carteiras de investimento."
Tesouro americano duplica recompras de longo prazo
O gatilho inicial da disparada foi o anúncio inesperado do Tesouro dos EUA de duplicar as recompras de títulos de longo prazo, momento em que o yield do Treasury de 30 anos atingiu 5,34%.
O mercado interpretou a medida como resposta à pressão no mercado de bonds, num contexto em que dados mais fracos do mercado de trabalho limitavam o espaço do Federal Reserve para apertar ainda mais a política monetária.
Com a pressão sobre os rendimentos sendo parcialmente transferida para o
dólar, ativos que não geram rendimento fixo, como o bitcoin, passaram a ganhar atratividade.
A combinação de dólar mais fraco, menor expectativa de retorno real em
renda fixa e retorno da demanda ao mercado criou o ambiente propício para a alta acelerada.
ETFs de Bitcoin registram US$ 1,92 bi em entradas
Do lado técnico, os números foram igualmente expressivos. Os
ETFs de bitcoin registraram US$ 1,92 bilhão em entradas na semana, o melhor resultado em dez meses. Ao mesmo tempo, US$ 2,7 bilhões em posições vendidas foram liquidados no mercado.
A Binance Research destacou que a demanda à vista e no mercado de contratos perpétuos tornou-se positiva simultaneamente pela primeira vez desde outubro, o que indica que a alta não foi explicada apenas pelo fechamento forçado de posições vendidas, mas pelo retorno de compradores reais tanto no mercado spot quanto no de derivativos.
Alta histórica não garante continuidade
O movimento de 2,5 sigmas é raro, e dados históricos sugerem que valorizações dessa magnitude tendem a ser acompanhadas por continuidade.
Com grande parte das posições vendidas já eliminadas, no entanto, o mercado passa a depender da persistência da demanda no mercado à vista e dos ETFs.
📈 Caso os fluxos positivos se sustentem por várias semanas, o movimento poderá indicar uma melhora mais estrutural do sentimento dos investidores, e não apenas um evento pontual de liquidação.