Banco Central corta projeção do PIB de 2026 de 2% para 1,8%

Entre abril e junho, o PIB cresceu 0,5%, abaixo da alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.

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Publicado em 24/09/2026 às 09:45h Publicado em 24/09/2026 às 09:45h por Elanny Vlaxio
O consumo das famílias também recuou 0,4% (Imagem: Shutterstock)
O consumo das famílias também recuou 0,4% (Imagem: Shutterstock)
O Banco Central cortou de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, segundo o RPM (Relatório de Política Monetária) divulgado nesta quinta-feira (24). Para 2027, a autoridade monetária prevê uma expansão ainda menor, de 1,4%, em um cenário de perda de ritmo da atividade econômica, mas de inflação ainda pressionada.
A revisão do crescimento considera uma avaliação menos favorável da composição da atividade no segundo trimestre e os primeiros sinais vindos do terceiro trimestre. Entre abril e junho, o PIB cresceu 0,5%, abaixo da alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.
O consumo das famílias também recuou 0,4%, enquanto setores mais sensíveis ao ciclo econômico perderam força.
Segundo o Banco Central, essa desaceleração deve continuar no terceiro trimestre e faz parte de um movimento iniciado no fim de 2024, quando começou o ciclo de aperto monetário.

Inflação continua no radar

Apesar da economia mais fraca, o cenário inflacionário não trouxe o mesmo alívio. O IPCA acumulado em 12 meses passou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto, favorecido principalmente pela redução da pressão de alimentos e preços administrados, além de sinais de moderação nos bens industriais.
Por outro lado, os serviços continuam como ponto de atenção. O BC afirma que a inflação desse segmento permanece elevada em meio a um mercado de trabalho aquecido e a um hiato do produto positivo. As expectativas de inflação também seguem acima da meta ao longo de todo o horizonte considerado.
No cenário de referência, a autoridade monetária estima que a inflação chegue a 4,4% no terceiro trimestre de 2026, mas volte a acelerar até atingir 5,2% no fim do ano. Com isso, ficaria durante dois trimestres consecutivos acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta. Para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária, a projeção permaneceu em 3,2%.

Selic segue em 13,75%

O quadro ajuda a explicar a cautela do Banco Central em relação aos próximos passos da taxa básica de juros. A Selic está em 13,75% ao ano, após o corte de 0,25 ponto percentual realizado na semana passada.
O Copom não antecipou qual será a extensão do ciclo de ajustes e afirmou que a magnitude total será definida conforme novas informações, tendo como objetivo fazer a inflação convergir para a meta. O comitê também destacou que expectativas de inflação de longo prazo desancoradas aumentam o custo do processo de desinflação.
Enquanto a atividade perde força, o mercado de trabalho continua mostrando resistência. De acordo com o relatório, a taxa de desocupação permanece em nível historicamente baixo e a geração de empregos com carteira segue positiva, embora tenha desacelerado.
Para o BC, esse cenário ajuda a sustentar renda e demanda, especialmente no setor de serviços, contribuindo para a persistência da inflação nessa área.
No exterior, o Banco Central também aponta um ambiente de elevada incerteza. Os conflitos no Oriente Médio e as dúvidas sobre os próximos passos das políticas monetárias das economias avançadas estão entre os fatores acompanhados pela autoridade.